Colombia
El artículo analiza la configuración del campo profesional de la educación infantil (EI) en Colombia (1976-1997). Luego de un largo periodo de informalidad, el Estado reconoció el preescolar como parte del sistema educativo (Decreto 088 de 1976), situación que influyó en la fundación de la primera licenciatura en preescolar (Universidad Pedagógica Nacional, 1978). Desde este momento, y hasta 1997, se objetivaron prescripciones del Estado sobre EI, así como posicionamientos de agentes (docentes, investigadores y sindicalistas) que evidencian conflictos por la legitimidad de esta práctica-saber. El estudio empleó la perspectiva estructuralista-constructivista de Pierre Bourdieu, que analiza de manera relacional las estructuras objetivas y los modos de percepción de los agentes de un campo. En consecuencia, se implementó una metodología de análisis documental, a partir de dos corpus: prescripciones del Estado y posiciones de agentes del campo. En los resultados, se destacan dos momentos. En el primero (1976-1983), el Estado promovió la formalización del preescolar, la fundación de programas profesionales en EI y una estrategia preprimarizadora. Por su parte, los agentes interpelaron el ordenamiento social y de género que condicionó a la EI y demostraron que los capitales culturales acumulados dieron fundamento a las nuevas licenciaturas. En el segundo momento (1984-1997), el Estado implementó reformas inspiradas en la Tecnología educativa y evidenció contradicciones entre la obligatoriedad y la discrecionalidad del nivel preescolar. Como respuesta, los agentes denunciaron la lógica instrumental de estas reformas, se opusieron a los enfoques reciclados de formación docente y emplearon estrategias para el fortalecimiento curricular de las licenciaturas en EI.
This article analyses the configuration of the professional field of Early Childhood Education (ECE) in Colombia (1976-1997). After a long period of informality, the State recognized preschool as part of the educational system (Decree 088 of 1976), which influenced the establishment of the first degree in preschool education (National Pedagogical University, 1978). From this point until 1997, the State's prescriptions regarding ECE were formalized, and the positions of various agents (teachers, researchers, and unionists) revealed conflicts over the legitimacy of this practice and body of knowledge. The study employed Pierre Bourdieu's structuralist-constructivist perspective, which analyses the objective structures and agents' perceptions within a field in a relational manner. Consequently, a documentary analysis methodology was implemented, based on two corpuses: State prescriptions and the positions of agents within the field. The results highlight two key periods. In the first (1976-1983), the State promoted the formalization of preschool education, the establishment of professional programs in ECE, and an early primary schooling strategy. Meanwhile, agents challenged the social and gender structures that influenced ECE and demonstrated how accumulated cultural capital supported the new teaching degrees. In the second period (1984-1997), the State implemented reforms inspired by educational technology, revealing contradictions between the compulsory and discretionary nature of the preschool level. In response, agents denounced the instrumental logic of these reforms, opposed the recycled approaches to teacher training, and employed strategies to strengthen the curriculum of ECE degrees.
O artigo analisa a configuração do campo profissional da Educação Infantil (EI) na Colômbia (1976-1997). Após um longo período de informalidade, o Estado reconheceu a educação pré-escolar como parte do sistema educacional (Decreto 088 de 1976), o que influenciou a fundação da primeira licenciatura em pré-escolar (Universidade Pedagógica Nacional, 1978). Desde então, até 1997, foram objetivadas prescrições do Estado sobre a EI, bem como posicionamentos de agentes (professores, pesquisadores e sindicalistas) que evidenciam conflitos pela legitimidade dessa prática-saber. O estudo utilizou a perspectiva estruturalista-construtivista de Pierre Bourdieu, que analisa de maneira relacional as estruturas objetivas e os modos de percepção dos agentes de um campo. Consequentemente, foi implementada uma metodologia de análise documental, com base em dois corpora: prescrições do Estado e posições de agentes do campo. Nos resultados, destacam-se dois momentos. No primeiro (1976-1983), o Estado promoveu a formalização da educação pré-escolar, a criação de programas profissionais em EI e uma estratégia de pré-primarização. Por sua vez, os agentes contestaram a ordenação social e de gênero que condicionava a EI e demonstraram que os capitais culturais acumulados fundamentaram as novas licenciaturas. No segundo momento (1984-1997), o Estado implementou reformas inspiradas na Tecnologia Educacional, evidenciando contradições entre a obrigatoriedade e a discricionariedade do nível pré-escolar. Como resposta, os agentes denunciaram a lógica instrumental dessas reformas, opuseram-se aos enfoques reciclados de formação docente e empregaram estratégias para o fortalecimento curricular das licenciaturas em EI.