El artículo ofrece una revisión crítica de la literatura reciente sobre los programas del Fondo Monetario Internacional con especial énfasis en el período posterior al COVID-19, examinando cómo las presiones geopolíticas, la agencia de los países deudores y la lógica institucional del organismo condicionan su diseño, implementación y efectos. Sostiene que los programas del FMI no pueden explicarse mediante una única lógica causal: resultan de la interacción entre los accionistas principales, los acreedores, los mercados, la dinámica política doméstica de los gobiernos prestatarios y las rutinas burocráticas del propio Fondo. La revisión muestra que las intervenciones del organismo varían en tamaño, condicionalidad, flexibilidad y tolerancia al incumplimiento, mientras que sus efectos también son heterogéneos. Aunque en algunos casos pueden estabilizar expectativas y mejorar el acceso a los mercados, suelen producir consecuencias regresivas en términos distributivos, sociales, institucionales y políticos. El artículo concluye que la trayectoria reciente del FMI expresa una adaptación selectiva: incorpora nuevas agendas, como el cambio climático, el género y la protección social, sin alterar sustancialmente su mandato ni las asimetrías que estructuran su relación con los países deudores
The article offers a critical review of recent scholarship on International Monetary Fund programs, with particular emphasis on the post-COVID-19 period. It examines how geopolitical pressures, the agency of debtor countries, and the Fund’s institutional logic shape the design, implementation, and effects of these programs. It argues that IMF programs cannot be explained by a single causal logic: they result from the interaction among major shareholders, creditors, markets, the domestic political dynamics of borrowing governments, and the Fund’s own bureaucratic routines. The review shows that the institution’s interventions vary in size, conditionality, flexibility, and tolerance of non-compliance, while their effects are also heterogeneous. Although in some cases they may stabilize expectations and improve market access, they often produce regressive distributive, social, institutional, and political consequences. The article concludes that the IMF’s recent trajectory reflects a process of selective adaptation: it incorporates new agendas, such as climate change, gender, and social protection, without substantially altering its mandate or the asymmetries that structure its relationship with debtor countries.
O artigo oferece uma revisão crítica da literatura recente sobre os programas do Fundo Monetário Internacional, com especial ênfase no período posterior à COVID-19. Examina como as pressões geopolíticas, a agência dos países devedores e a lógica institucional do Fundo condicionam o desenho, a implementação e os efeitos desses programas. Argumenta que os programas do FMI não podem ser explicados por uma única lógica causal: eles resultam da interação entre os principais acionistas, credores, mercados, a dinâmica política doméstica dos governos mutuários e as próprias rotinas burocráticas do Fundo. A revisão mostra que as intervenções da instituição variam em tamanho, condicionalidade, flexibilidade e tolerância ao descumprimento, enquanto seus efeitos também são heterogêneos. Embora, em alguns casos, possam estabilizar expectativas e melhorar o acesso aos mercados, frequentemente produzem consequências regressivas em termos distributivos, sociais, institucionais e políticos. O artigo conclui que a trajetória recente do FMI reflete um processo de adaptação seletiva: incorpora novas agendas, como mudança climática, gênero e proteção social, sem alterar substancialmente seu mandato nem as assimetrias que estruturam sua relação com os países devedores.