Brasil
This article analyzes the text “Governmentality”, presented by Michel Foucault in the lecture course Security, Territory, Population(1978). In this manuscript, Foucault proposes an investigation into the security dispositifs that emerge in modernity and that, from his perspective, reveal a new political problematization centered on the population. By examining the functioning of thesedispositifs, the author reconstructs the historical shift in forms of power, moving from sovereignty and discipline to governmentality, understood as a set of techniques and rationalities aimed at the conduct of conduct. Based on the elements of security, territory, and population, Foucault demonstrates how government ceases to be conceived solely as territorial domination andcomes to be oriented toward the management of the biological and social processes that characterize collective life. According to Foucault, the transformation of the family model as a reference for the State enables the emergence of a liberal art of governing centered on population control. In this process, territory ceases to be a mere physical space and becomes the strategic locus of power relations, defining the ways in which individuals are guided and administered. Territoriality, jurisdiction, and circulation thus become essential elements for understanding governmentality. In this way, Foucault demonstrates that the liberal art of governing dismantles the idea—typical of seventeenth-century classical liberalism—that laissez-fairewould produce a free market, revealing that the very functioning of the market depends structurally on governmental action
Este artigo analisa o texto “A Governamentalidade”, apresentado por Michel Foucault no curso Segurança, Território e População(1978). Nesse manuscrito, Foucault propõe uma investigação acerca dos dispositivos de segurança que emergem na modernidade e que, em sua perspectiva, revelam uma nova problematização política centrada na população. Ao examinar o funcionamento desses dispositivos, o autor reconstrói o deslocamento histórico das formas de poder, passando da soberania e da disciplina para a governamentalidade, entendida como um conjunto de técnicas e racionalidades voltadas à condução das condutas. A partir dos elementos segurança, território e população, Foucault evidencia como o governo deixa de ser pensado apenas como domínio territorial e passa a orientar-se pela gestão dos processos biológicos e sociais que caracterizam a vida coletiva.A transformação do modelo da família como referência para o Estado permite, segundo Foucault, o surgimento de uma arte liberal de governar centrada no controle da população. Nesse processo, o território deixa de ser um simples espaço físico e passa a constituir o lócus estratégico das relações de poder, definindo as formas como os indivíduos são conduzidos e administrados. A territorialidade, a jurisdição e a circulação tornam-se, assim, elementos essenciais para compreender a governamentalidade. Desse modo, Foucault demonstra que a arte liberal de governar desmonta a ideia, típica do liberalismo clássico do século XVII, de que o “laissez-faire”produziria um mercado livre, evidenciando que o próprio funcionamento do mercado depende estruturalmente da ação governamental.