O artigo descreve algumas relações entre criminologia e psicanálise, sobretudo o posicionamento da psicanálise na suposta linearidade das escolas criminológicas, problematizando o papel crítico calcado na deslegitimação da ideologia da defesa social, mas também as narrativas causalistas. Posteriormente, aproxima criminologia psicanalítica e antropologia, reverberando tanto os argumentos de Frantz Fanon sobre os estereótipos racistas como forma de problematizar a universalidade da psicanálise quanto de Lévi-Strauss na aproximação entre as funções simbólicas do Xamã e do psicanalista. Por fim, objetiva demonstrar como algumas religiões de matriz africana recepcionam subjetividades etiquetadas pelo sistema penal e estabelecem outras formas de fronteira entre a lei simbólica e a transgressão, integrando estereótipos desviantes utilizados pelo sistema penal como instrumentos de seletividade e perseguição institucional, sobretudo na falange dos malandros. Portanto, o artigo transita entre direito e processo penal críticos, criminologia cultural, psicanálise e antropologia.