Venezuela
En la tradición política de Occidente, la Modernidad fijó las condiciones para el despliegue de una vida común en libertad. Desde esa vertiente, el republicanismo, como lucha irreductible contra la tiranía, perdía vigencia si la sola existencia del Estado liberal, sus instituciones y buenas leyes, bastaban para asegurar el gozo en sosiego de una vida buena. Pero frente a la experiencia novedosa de la última centuria, Claude Lefort propone la pregunta de nuestro tiempo: ¿Cómo fue posible pasar de la libertad paradigmática a un tipo de servidumbre innombrable e inédita? Frente a la virtud republicana, signada por la prudencia de advertir que toda convivencia política organizada en torno a la libertad es frágil y demanda ser conquistada permanentemente, el distintivo del presente es el vicio: la indiferencia totalizante en el establecimiento heterónomo de una vida inanimada, y en la obliteración sobre la potencia del ser para salir de lo meramente viviente hacia lo humano, lo libre, lo abierto. Aquel cuestionamiento interroga la necesidad de resignificar lo político desde la indeterminación y el vacío, a partir de la extrañeza de la libertad como lo abierto al mundo, interceptada por el terror como experiencia constitutiva de nuestro tiempo.
Na tradição política do Ocidente, a Modernidade estabeleceu as condições para a implantação de uma vida comum em liberdade. A partir desse aspecto, o republicanismo, como uma luta irredutível contra a tirania, perdeu sua validade se a própria existência do Estado liberal, suas instituições e boas leis, fosse suficiente para garantir a alegria tranquila de uma boa vida. Mas diante da nova experiência do século passado, Claude Lefort propõe a pergunta do nosso tempo: como foi possível passar da liberdade paradigmática para um tipo innomeável e inédito de servidão? Diante da virtude republicana, marcada pela prudência de advertência de que toda convivência política organizada em torno da liberdade é frágil e exige ser conquistada permanentemente, a marca do presente é o vício: totalizar a indiferença no estabelecimento heteronista de uma vida inanimada e na obliteração sobre o poder de sair do mera viver para o humano, o livre, o aberto. Esse questionamento questiona a necessidade de ressignificar a indeterminação política e o vazio, baseado na estranheza da liberdade como aberta ao mundo, interceptada pelo terror como uma experiência constitutiva do nosso tempo.
In the Western political tradition, modernity established the conditions for the unfolding of a common life in freedom. From this perspective, republicanism, conceived as an irreducible struggle against tyranny, would have lost its relevance if the mere existence of the liberal state, its institutions and laws sufficed to ensure the peaceful enjoyment of a good life. However, faced with the novel experience of the last century, Claude Lefort poses the central question of our time: How was it possible to transition from a paradigmatic freedom to an unnamable and unprecedented servitude? Whereas republican virtue, grounded in the prudence to recognize that all political coexistence organized around freedom is fragile and demands constant reassertion, the distinctive characteristic of the present is vice: a totalizing indifference towards the heteronomous establishment of an inanimate life, and the obliteration of the inherent power of being to transcend the merely living towards the human, the free, the open. Given these premises, I explore certain questions related to indeterminacy and emptiness, aiming to rethink the political. This resignification is grounded in the strangeness of freedom as an openness to the world, mediated by terror as the constitutive experience of our time.