Caroline Souza Bertunes Teixeira, Ana Bárbara Albuquerque Borges, Bruno Michael Santos Romera, Camila do Carmo e Silva Pereira, Cecilia Jacoby Rigol Silva, Derley Thiago Silva Ribeiro, Felipe Blanc Braz, Leandro Augusto Alves Rodrigues Filho, Lucas Tadeu Cerqueira dos Santos, Luiza Maria Dias Meirelles, Marcela Campos Martins, Thiago de Oliveira Espíndola
Objetivo: Investigar a associação entre o uso crônico de cannabis e o risco de esquizofrenia, analisando mecanismos neurobiológicos, fatores genéticos, idade de início, frequência de uso e potência do THC, além de implicações clínicas e epidemiológicas. Metodologia: Revisão sistemática (PRISMA 2020) com busca em bases como PubMed, BVS e Periódicos CAPES (2025). Foram incluídos 11 estudos observacionais/longitudinais (de 193 identificados), após triagem por dois revisores independentes. Dados sobre padrões de uso, desfechos clínicos e marcadores genéticos foram sintetizados. Resultados e Discussão: O uso precoce (antes dos 15 anos) e frequente de cannabis com alto THC elevou o risco de esquizofrenia, especialmente em homens jovens geneticamente predispostos. Polimorfismos nos genes CNR2 e FAAH modularam a susceptibilidade, enquanto alterações na matéria cinzenta e redes cerebrais (ex.: cerebelar) correlacionaram-se com sintomas psicóticos. A relação bidirecional foi evidenciada: a cannabis precipita psicose em indivíduos vulneráveis, e pacientes com esquizofrenia usam a substância para automedicação, agravando o quadro. Estudos epidemiológicos destacaram uma fração de risco atribuível à população (PARF) significativa, com até 25% dos casos vinculados ao transtorno por uso de cannabis. Conclusão: A interação entre vulnerabilidade genética e exposição ambiental amplifica o risco. Políticas públicas devem restringir o acesso à cannabis de alta potência e promover educação em grupos vulneráveis, como adolescentes. Limitações metodológicas (heterogeneidade de estudos) exigem pesquisas longitudinais para elucidar causalidade e intervenções preventivas.