Objetivo: Investigar a associação entre o uso crônico de cannabis e o risco de esquizofrenia, analisando mecanismos neurobiológicos, fatores genéticos, idade de início, frequência de uso e potência do THC, além de implicações clínicas e epidemiológicas. Metodologia: Revisão sistemática (PRISMA 2020) com busca em bases como PubMed, BVS e Periódicos CAPES (2025). Foram incluídos 11 estudos observacionais/longitudinais (de 193 identificados), após triagem por dois revisores independentes. Dados sobre padrões de uso, desfechos clínicos e marcadores genéticos foram sintetizados. Resultados e Discussão: O uso precoce (antes dos 15 anos) e frequente de cannabis com alto THC elevou o risco de esquizofrenia, especialmente em homens jovens geneticamente predispostos. Polimorfismos nos genes CNR2 e FAAH modularam a susceptibilidade, enquanto alterações na matéria cinzenta e redes cerebrais (ex.: cerebelar) correlacionaram-se com sintomas psicóticos. A relação bidirecional foi evidenciada: a cannabis precipita psicose em indivíduos vulneráveis, e pacientes com esquizofrenia usam a substância para automedicação, agravando o quadro. Estudos epidemiológicos destacaram uma fração de risco atribuível à população (PARF) significativa, com até 25% dos casos vinculados ao transtorno por uso de cannabis. Conclusão: A interação entre vulnerabilidade genética e exposição ambiental amplifica o risco. Políticas públicas devem restringir o acesso à cannabis de alta potência e promover educação em grupos vulneráveis, como adolescentes. Limitações metodológicas (heterogeneidade de estudos) exigem pesquisas longitudinais para elucidar causalidade e intervenções preventivas.