Este artículo describe las vivencias de 20 venezolanas que residen en Cali con títulos técnicos y profesionales que han sido discriminadas en el proceso de incorporación laboral por su nacionalidad y género. Estas experiencias se analizan como xenofobia en cuatro dimensiones: a) estereotipos negativos asociados a la nacionalidad; b) la aporofobia o aversión al migrante pobre, c) atribución a los inmigrantes de efectos adversos en la sociedad y el empleo, y d) la competencia por el acceso a espacios sociales como el mercado laboral donde compiten y “amenazan el estatus” de los colombianos al tomar las plazas disponibles. La investigación se basó en relatos con entrevistas semiestructuradas que indagaron por su formación y experiencia laboral en origen; las razones para migrar a Colombia, los apoyos recibidos para ese propósito y la forma en que navegan en este país para ubicarse laboralmente, sobrevivir y mantener relaciones con su familia en Venezuela. Se hizo observación de campo en las viviendas y lugares de trabajo de las entrevistadas. La información fue procesada con ATLAS.ti utilizando tres formas de codificación de la teoría fundamentada, con énfasis en el constructivismo. Entre las principales conclusiones se puede destacar que la competencia es eje activador de la xenofobia porque los colombianos sienten que los migrantes amenazan los ya precarios e inestables empleos que poseen. Por otro lado, las entrevistadas mantienen un sistema de valores que minimiza las dificultades y visualizan el sufrimiento como inevitables en la vida. Dios es su principal estrategia de afrontamiento para el desarraigo, las innumerables pérdidas y la desmoralización que se desprenden de la experiencia migratoria. También es relevante reconocer que son mujeres que muestran capacidad para actuar, han ganado agencia individual y gestionan sus propósitos con compromiso. Son eficientes, se plantean expectativas de resultado y orientan su vida por metas.
This paper describes the experiences of 20 Venezuelan women residing in Cali with technical and professional degrees who have been discriminated against in the job incorporation process due to their nationality and gender. These experiences are analysed as xenophobia in four dimensions: a) negative stereotypes associated with nationality; b) aporophobia or aversion to the poor migrant, c) attribution to immigrants of adverse effects on society and employment, and d) competition for access to social spaces such as the labour market where they compete and “threaten the status” of Colombians by taking the available jobs. The research was based on accounts with semi-structured interviews that inquired about their training and work experience in their country of origin, the reasons for migrating to Colombia, the supports received for that purpose and the way they navigate this country to find employment, survive and maintain relationships with their family in Venezuela. Field observation was made in the homes and workplaces of the interviewees. The information was processed with ATLAS.ti, using three forms of coding of the grounded theory, with emphasis on constructivism. Among the main conclusions, it can be highlighted that competition is an activating axis of xenophobia because Colombians feel that migrants threaten the already precarious and unstable jobs they have. On the other hand, the interviewees maintain a value system that minimizes difficulties and view suffering as inevitable in life. God is their main coping strategy for the uprooting, countless losses and demoralization that arise from the migratory experience. It is also relevant to recognize that they are women who show the capacity to act, have gained individual agency and manage their purposes with commitment. They are efficient, they set expectations for results and guide their lives by goals.
Este artigo descreve as experiências de 20 mulheres venezuelanas residentes em Cali (Colômbia), com diplomas técnicos e profissionais, que foram discriminadas no processo de incorporação ao mercado de trabalho devido à sua nacionalidade e gênero. Essas experiências se analisam como xenofobia desde quatro dimensões: a) estereótipos negativos associados à nacionalidade; b) aporofobia ou aversão ao migrante pobre; c) atribuição aos imigrantes de efeitos adversos sobre a sociedade e o emprego; e d) competição pelo acesso a espaços sociais, como o mercado de trabalho, “ameaçando o status” dos colombianos ao preencher os empregos disponíveis. A pesquisa baseou-se em relatos com entrevistas semiestruturadas que indagaram sobre a sua formação e experiência profissional de origem; as razões para migrar para a Colômbia, os apoios recebidos para esse fim e como transitam neste país para encontrar trabalho, sobreviver e manter relações com a família na Venezuela. A observação de campo foi realizada nos domicílios e locais de trabalho das entrevistadas. A informação foi processada com ATLAS.ti, utilizando três formas de codificação da teoria fundamentada, com ênfase no construtivismo. Dentre as principais conclusões, pode-se destacar que a competição é o eixo ativador da xenofobia, pois os colombianos sentem que os migrantes ameaçam os empregos já precários e instáveis que ocupam. As entrevistadas têm um sistema de valores que minimiza as dificuldades e visualizam o sofrimento como inevitável na vida. Deus é sua principal estratégia para lidar com o desenraizamento, as inúmeras perdas e a desmoralização que acompanham a experiência da migração. Também é relevante reconhecer que elas são mulheres que demonstram capacidade de agir, têm adquirido agência individual, gerando seus objetivos com empenho. Além disso, são eficientes e têm expectativas sobre os resultados em suas vidas