Socorro, Portugal
Este ensaio reflete sobre o policiamento contraterrorismo em Portugal, prestando atenção à sua vertente preventiva, que atua por antecipação, visando neutralizar as ameaças antes de estas se concretizarem. Neste âmbito, assume especial importância a vigilância dos posicionamentos pessoais que desafiam os limites aceitáveis da identidade e da cida-dania e que, precisamente por isso, são apelidados de “radicais”. Assente numa pesquisa empírica realizada junto de uma unidade policial contraterrorismo, o ensaio propõe-se apreciar esta vertente da investigação criminal como um trabalho de natureza semiótica, marcado por interpretações e inferências falíveis, tecidas em torno de sinais e funções da pessoalidade. Trata-se de uma dimensão do policiamento que se combina com uma cultura securitária de dimensão europeia que se tem vindo a consolidar ao longo dos últimos vinte anos, apesar da considerável insignificância das ocorrências registadas
This essay discusses counter-terrorism policing in Portugal, being specifically focused on its preven-tive and anticipatory dimension, which seeks to neutralize threats before they assume dramatic proportions. On this front, the surveillance of personal positionings that challenge the acceptable limits of citizenship and identity and are there-fore labelled as radical assumes special importance. Based on an empirical research conducted in a Portuguese counter terrorism unit, this essay appreciates this modality of criminal investigation as a semiotic type of work, characterized by interpretations and inferences woven around the signs and functions of personhood. Notwithstanding the irrelevance of the terrorist incidents in Portugal, such a dimension of policing clearly merges with a European security culture that has been reinforced over the last twenty years.