El objeto del presente artículo es clarificar cómo los procesos de securitización en las fronteras sur de la Unión Europea (UE) – el Mediterráneo – están alimentando inseguridades diversas dentro y fuera de la UE. Seguimos un enfoque sociológico de la securitización que retoma la línea de trabajo de Thierry Balzacq. Al sumarse a la conceptualización de los procesos de securitización como actos de habla y resultado de prácticas de seguridad, este enfoque contribuye para comprender cómo las respuestas específicas a las amenazas de seguridad percibidas resultan de la dinámica contextual y las relaciones de poder entre actores importantes en el campo de la seguridad. El artículo se ubica en la convergencia de la Antropología y de las Relaciones Internacionales que se suman a los esfuerzos por promover una reflexión crítica sobre los procesos de (in)securitización y las posibilidades emancipatorias para el cambio social. Se concluye que las narrativas de inseguridad que alimentan las dinámicas fronterizas terminan en una espiral de percepciones de inseguridad con implicaciones para la gestión de fronteras. La necesidad de desecuritizar las políticas y prácticas se convierte, por lo tanto, en parte del camino para repensar las posibilidades de abordar las causas estructurales de la violencia y el desplazamiento masivo de personas en las fronteras sur de la UE.
Este artigo analisa os processos de securitização nas fronteiras sul da União Europeia (UE) – o Mediterrâneo –, que argumentamos são fonte de várias inseguranças tanto no quadro interno da UE, como na sua dimensão externa. Seguimos uma abordagem sociológica da securitização que revisita o trabalho de Thierry Balzacq. O artigo concetualiza processos de securitização como atos de fala e resultado de práticas de segurança, uma abordagem que abre novas avenidas para compreendermos como respostas específicas a ameaças de segurança resultam de dinâmicas contextuais e relações de poder entre atores relevantes na área da segurança. Além do mais, o artigo situa-se na convergência entre as áreas da Antropologia e das Relações Internacionais somando esforços para promover uma reflexão crítica sobre processos de (des)securitização e possibilidades emancipatórias de mudança social. O artigo conclui com a necessidade de uma viragem política na forma como as questões de segurança são percecionadas e agilizadas, implicando uma abordagem mais integrada e cosmopolita com contornos emancipatórios.
The goal of this article is to shed light on how securitization processes at the European Union (EU)’s southern borders – the Mediterranean – are feeding various insecurities both inside and outside the EU. We follow a sociological approach to securitization which revisits the work by Thierry Balzacq. By adding to the conceptualization of securitization processes as speech acts and the outcome of security practices, this approach contributes to understanding how specific responses to perceived security threats result from contextual dynamics and power relations between significant actors in the security field. The article lies at the convergence of the fields of Anthropology and International Relations adding to efforts to promote a critical reflection about processes of (in)securitization and emancipatory possibilities for social change. The article concludes that the insecurity narratives feeding border dynamics end up in a spiral of insecurity perceptions with implications for borders’ management. The need to desecuritize policies and practices becomes, thus, part of the way to rethink possibilities for addressing the structural causes of violence and mass dislocation of people at the southern borders of the EU.