Brasil
Las personas con discapacidad han sido comprendidas y tratadas de diferentes maneras a lo largo del tiempo y en distintos contextos culturales. Este artículo tiene como objetivo comprender cómo las personas con discapacidad han sido percibidas y tratadas en la cultura indígena Kaingang, en la Tierra Indígena Xapecó, en Santa Catarina, Brasil. El estudio, de carácter cualitativo, incluyó entrevistas semiestructuradas con seis ancianos indígenas Kaingang residentes en dicha tierra indígena. Los resultados muestran que no todo lo que la cultura no indígena considera discapacidad era interpretado de la misma forma en la cultura Kaingang. Las personas capaces de realizar trabajo físico no eran consideradas discapacitadas en esta comunidad. Las causas atribuidas a la discapacidad, según los entrevistados, incluyen plagas enviadas por personas malintencionadas, hechizos, castigos por actos considerados incorrectos y, predominantemente, la creencia de que las relaciones entre personas consideradas hermanas generan discapacidad, ya que Kamẽ solo podía casarse con Kanhrũ y viceversa. Desde la perspectiva educativa, que es el enfoque adoptado por las autoras de este artículo, el estudio señala que, hasta hace poco, los niños indígenas con discapacidad no asistían a la escuela, permanecían recluidos en sus familias, muchas veces como una forma de protección. Aunque esto no es exclusivo de los niños indígenas, su inclusión escolar fue aún más tardía en comparación con la de los niños con discapacidad no indígenas. Actualmente, la inclusión escolar, concebida como un derecho y un deber del Estado, es el resultado de un largo proceso de influencias culturales que repercuten en la forma de comprender la educación indígena y el trato hacia estas personas.
People with disabilities have been understood and treated differently over time and across various cultural contexts. This article aims to understand how people with disabilities have been perceived and treated within the Kaingang Indigenous culture in the Xapecó Indigenous Land, in Santa Catarina, Brazil. This qualitative study involved semi-structured interviews with six Kaingang elders residing in this Indigenous territory. The results indicate that not everything considered a disability in non-Indigenous culture was perceived as such in Kaingang culture. Individuals capable of performing physical work were not regarded as disabled in this community. Causes attributed to disability, according to the interviewees, include plagues cast by malicious people, curses, punishments for acts considered wrong, and predominantly the belief that relationships between individuals considered siblings result in disability—where Kamẽ could only marry Kanhrũ and vice versa. From an educational perspective, which is the standpoint adopted by the authors of this article, the study highlights that until recently, Indigenous children with disabilities did not attend school, remaining secluded within their families, often as a form of protection. Although this was not exclusive to Indigenous children, their school inclusion occurred even later than that of non-Indigenous children with disabilities. Today, school inclusion, conceived as both a right and a duty of the State, is the result of a long process of cultural influences that shape the understanding of Indigenous education and the treatment given to these individuals.
As pessoas com deficiência foram compreendidas e tratadas de formas distintas ao longo do tempo e em diferentes contextos culturais. Este artigo tem como objetivo compreender como as pessoas com deficiência têm sido percebidas e tratadas na cultura indígena Kaingang, na Terra Indígena Xapecó, em Santa Catarina, Brasil. O estudo, de caráter qualitativo, envolveu entrevistas semiestruturadas com seis anciões indígenas Kaingang residentes nessa terra indígena. Os resultados mostram que nem tudo o que a cultura não indígena considera deficiência era assim entendido na cultura Kaingang. Pessoas aptas ao trabalho físico não eram consideradas deficientes nessa comunidade. As causas atribuídas à deficiência, segundo os entrevistados, incluem pragas lançadas por pessoas más, feitiços, castigos por atos considerados ruins e, predominantemente, a crença de que relacionamentos entre pessoas consideradas irmãs geram deficiência, sendo que Kamẽ só poderia se casar com Kanhrũ e vice-versa. Na perspectiva educacional, de onde as autoras deste artigo se posicionam, o estudo aponta que, até recentemente, crianças indígenas com deficiência não frequentavam a escola, permanecendo reclusas em suas famílias, muitas vezes como forma de proteção. Embora isso não seja exclusividade de crianças indígenas, a inserção escolar dessas crianças foi ainda mais tardia em comparação às crianças com deficiência não indígenas. A inclusão escolar, atualmente concebida como um direito e um imperativo do Estado, é resultado de um longo processo de influências culturais que reverberam na forma de compreender a educação indígena e o tratamento dado a essas pessoas.