Michel Douglas Silva de Sousa, Angela Kaori Susume, Sydney Ribeiro Junior
Introdução: A aspiração pulmonar perioperatória constitui grave complicação em anestesiologia obstétrica. A ultrassonografia gástrica (USG) surge como método inovador para avaliação do conteúdo gástrico, permitindo identificar gestantes com volume residual de risco mesmo após protocolos de jejum adequados. Objetivo: Determinar a prevalência de gestantes com volume gástrico residual de risco para aspiração pulmonar identificadas pela USG pré-operatória em cesarianas eletivas. Métodos: Revisão sistemática com metanálise seguindo o PRISMA. Buscaram-se estudos em quatro bases de dados. A metanálise empregou modelo de efeitos aleatórios para sintetizar a proporção de gestantes com volume >1,5 mL/kg ou classificação de Perlas Grau 2. Resultados: Sete estudos (347 gestantes) foram incluídos. A prevalência global de alto risco foi de 4% (IC 95%: 1% a 6%), mantendo significância após análise de sensibilidade. Não houve diferença na área antral entre gestantes e não gestantes (DM: -0,09 cm²; IC 95%: -0,47 a 0,29; p=0,64). Detectou-se viés de publicação pelo teste de Egger (p=0,035). Conclusão: A USG pré-operatória demonstra valor clínico substantivo ao identificar que 4% das gestantes mantêm conteúdo gástrico de risco apesar do jejum adequado, justificando sua incorporação como ferramenta de rotina para triagem individualizada. A ausência de diferença no volume basal entre os grupos sugere que o risco decorre predominantemente de alterações fisiopatológicas no esvaziamento gástrico, reforçando a necessidade de avaliação personalizada para otimização da segurança anestésica em obstetrícia.