Brasil
Este artículo examina la soberanía jurisdiccional como recurso de supervivencia económica en microestados insulares, tomando a Malta como estudio de caso a partir del litigio que resultó en la sentencia C-181/23 del Tribunal de Justicia de la Unión Europea (TJUE). El argumento central sostiene que, en pequeñas jurisdicciones con recursos materiales limitados, la soberanía no desaparece bajo condiciones de integración regional profunda, sino que es reconfigurada y convertida en activo estratégico, especialmente mediante instrumentos regulatorios, fiscales y migratorios. La adhesión de Malta a la Unión Europea (UE) en 2004 amplió las capacidades institucionales y las oportunidades económicas, pero también sometió al Estado a constreñimientos jurídicos más densos, particularmente en el ámbito de la nacionalidad y la ciudadanía europea. El texto combina la Economía Política Internacional, la literatura sobre pequeños Estados y los Estudios Insulares para mostrar que programas como el Individual Investor Programme (IIP) y el esquema Naturalisation for Exceptional Services by Direct Investment (NESDI) expresan una forma de ingeniería jurisdiccional orientada a la monetización de activos soberanos escasos. El análisis del caso C-181/23 evidencia que la Comisión Europea y el TJUE han pasado a tratar la ciudadanía de la Unión como bien jurídico compartido, no susceptible de ser objeto de mercantilización disociada de un vínculo genuino con el Estado concedente. En lugar de significar la desaparición de la agencia maltesa, esta inflexión revela la naturaleza relacional de la soberanía en microestados insertos en regímenes supranacionales, en los cuales la adaptación, la negociación institucional y el pragmatismo regulatorio siguen siendo centrales para la supervivencia económica y política
This article examines jurisdictional sovereignty as an economic survival resource in island microstates, using Malta as a case study through the litigation that culminated in the Court of Justice of the European Union's judgment in Case C-181/23. The central argument is that, in small jurisdictions with limited material resources, sovereignty does not disappear under conditions of deep regional integration; rather, it is reconfigured and converted into a strategic asset, especially through regulatory, fiscal and migratory instruments. Malta's accession to the European Union in 2004 expanded institutional capacities and economic opportunities, but it also subjected the state to denser legal constraints, particularly in the field of nationality and European citizenship. Drawing on International Political Economy, the literature on small states and Island Studies, the article shows that schemes such as the Individual Investor Programme and the NESDI framework expressed a form of jurisdictional ingenuity aimed at monetizing scarce sovereign assets. The analysis of Case C-181/23 demonstrates that the European Commission and the Court of Justice of the European Union increasingly treated Union citizenship as a shared legal good, one that cannot be commodified in the absence of a genuine link with the granting state. Rather than signaling the disappearance of Maltese agency, this shift reveals the relational nature of sovereignty in microstates embedded in supranational regimes, where adaptation, institutional bargaining and regulatory pragmatism remain central to economic and political survival.
Este artigo examina a soberania jurisdicional como recurso de sobrevivência econômica em microestados insulares, tomando Malta como estudo de caso a partir do contencioso que resultou no acórdão C-181/23 do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE). O argumento central sustenta que, em pequenas jurisdições com recursos materiais limitados, a soberania não desaparece sob condições de integração regional profunda; ela é reconfigurada e convertida em ativo estratégico, especialmente por meio de instrumentos regulatórios, fiscais e migratórios. A adesão de Malta à União Europeia (UE) em 2004 ampliou capacidades institucionais e oportunidades econômicas, mas também submeteu o Estado a constrangimentos jurídicos mais densos, particularmente no domínio da nacionalidade e da cidadania europeia. O texto combina Economia Política Internacional, literatura sobre pequenos Estados e Estudos Insulares para mostrar que programas como o Individual Investor Programme (IIP) e o esquema Naturalisation for Exceptional Services by Direct Investment (NESDI) expressam uma forma de engenhosidade jurisdicional voltada à monetização de ativos soberanos escassos. A análise do caso C-181/23 evidencia que a Comissão Europeia e o TJUE passaram a tratar a cidadania da União como bem jurídico compartilhado, insuscetível de ser objeto de mercantilização dissociada de vínculo genuíno com o Estado concedente. Em vez de significar o desaparecimento da agência maltesa, essa inflexão revela a natureza relacional da soberania em microestados inseridos em regimes supranacionais, nos quais adaptação, barganha institucional e pragmatismo regulatório seguem centrais para a sobrevivência econômica e política.