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Jiménez-Ribera, Adrián
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Brizuela, Magalí
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Santi, María Florencia
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Países Bajos
Valencia, España
Argentina
Argentina
Este artículo analiza los relatos de profesionales y usuarios de programas terapéuticos que abordan y tratan la violencia de género en la pareja en Argentina y Uruguay. El artículo cuestiona de qué manera esos relatos se entrelazan, entran en tensión o se refuerzan recíprocamente, y cómo estas interacciones inciden en los procesos de transformación de los usuarios del programa. La hipótesis guía es que las narrativas de cambio y confianza de ambos grupos no operan de manera unidireccional, sino que se coconstruyen, configuran el desarrollo de los procesos terapéuticos y, en última instancia, estructuran las posibilidades de desistimiento de la violencia. Se realizó un estudio cualitativo basado en entrevistas narrativas con 57 participantes: 36 varones que habían ejercido violencia contra sus parejas y 21 profesionales que trabajaban en programas de tratamiento. Las entrevistas, realizadas entre 2021 y 2024 en Buenos Aires y Montevideo, fueron analizadas mediante un análisis temático; los relatos se clasificaron en torno a las categorías de confianza y desconfianza respecto de las posibilidades de cambio y de las intervenciones institucionales. Los relatos de los usuarios oscilaron entre el recelo inicial y la apertura, en función del reconocimiento obtenido durante el tratamiento, lo cual se reflejaba en su disposición a cambiar. Desde la perspectiva de los profesionales, las narrativas fluctuaron entre el escepticismo y la confianza, y orientaron sus intervenciones según la disposición de los usuarios del programa a reflexionar sobre su propia conducta. Esta perspectiva de análisis no solo permite comprender cómo el desistimiento depende tanto de las relaciones terapéuticas como de las narrativas disponibles sobre el cambio, la confianza y las instituciones, asuntos que trascienden los espacios terapéuticos. Este artículo analiza simultáneamente los relatos de profesionales y usuarios de programas terapéuticos y así muestra cómo se coconstruyen los procesos de desistimiento en contextos en los que la desconfianza institucional históricamente arraigada impone condiciones que el paradigma what works sistemáticamente ignora.
This article examines the narratives of practitioners and service users participating in therapeutic programs addressing and treating gender-based intimate partner violence in Argentina and Uruguay. It explores how these narratives intersect, reinforce, or challenge one another, and how their interaction shapes service users’ processes of change. The central argument is that practitioners’ and service users’ narratives of trust and change do not operate in a one-way direction. Instead, they are co-constructed, shaping the therapeutic process and, ultimately, the prospects for desistance from gender-based intimate partner violence. The study draws on qualitative research based on narrative interviews with 57 participants: 36 men who had used violence against their partners and 21 practitioners working in treatment programs. Interviews were conducted in Buenos Aires and Montevideo between 2021 and 2024 and analyzed using thematic analysis. The findings were organized around themes of trust and distrust regarding the possibility of change and the role of institutional interventions. Service users’ accounts ranged from initial skepticism to increasing openness, depending on the degree of recognition they experienced during treatment, which, in turn, influenced their willingness to change. Practitioners' narratives likewise shifted between skepticism and trust, guiding their interventions according to participants’ willingness to reflect on their own behavior. This perspective shows that desistance depends not only on therapeutic relationships but also on the broader narratives surrounding change, trust, and institutions—issues that extend well beyond therapeutic settings. By analyzing practitioners’ and service users’ narratives together, the article demonstrates how desistance is co-constructed in contexts where deeply rooted institutional distrust creates conditions that the what works paradigm consistently overlooks.
Este artigo analisa os relatos de profissionais e usuários de programas terapêuticos voltados ao tratamento da violência de gênero nas relações de casal, na Argentina e no Uruguai. Este artigo investiga como essas narrativas se entrelaçam, entram em tensão ou se reforçam mutuamente e como essas interações afetam os processos de transformação dos usuários dos programas. A hipótese orientadora é que as narrativas de mudança e confiança de ambos os grupos não operam de forma unidirecional, mas se coconstruem, moldando o desenvolvimento de processos terapêuticos e, em última análise, as possibilidades de desistência da violência. Foi realizado um estudo qualitativo baseado em entrevistas narrativas com 57 participantes: 36 homens que haviam praticado violência contra seus parceiros e 21 profissionais que atuavam em programas de tratamento. As entrevistas, realizadas entre 2021 e 2024 em Buenos Aires e Montevidéu, foram analisadas por meio de análise temática; os relatos foram classificados em torno das categorias de confiança e desconfiança quanto às possibilidades de mudança e às intervenções institucionais. Os relatos dos usuários variaram desde a suspeita inicial até a abertura, em função do reconhecimento obtido durante o tratamento, o que se refletiu em sua disposição para mudar. Do ponto de vista dos profissionais, as narrativas oscilavam entre o ceticismo e a confiança e orientavam suas intervenções de acordo com a disposição dos usuários dos programas para refletir sobre o próprio comportamento. Essa perspectiva analítica permite não apenas compreender como a desistência depende tanto das relações terapêuticas quanto das narrativas disponíveis sobre mudança, confiança e instituições, questões que transcendem os espaços terapêuticos. Ao analisar simultaneamente os relatos de profissionais e usuários de programas terapêuticos, este artigo mostra como os processos de desistência são coconstruídos em contextos nos quais a desconfiança institucional historicamente enraizada impõe condições que o paradigma what works ignora sistematicamente.