Mercedes Mariano
, María Vanesa Giacomasso
En 2003, con la aprobación de la Convención para la Salvaguardia del Patrimonio Cultural Inmaterial de la Unesco, se estableció una definición del patrimonio inmaterial que, durante más de 20 años, ha sido objeto de cambios y actualizaciones casi constantes. En este marco, el artículo reconstruye los debates desarrollados tanto en los organismos internacionales como en la academia entre 2003 y 2025. Sin pretender ofrecer un análisis exhaustivo, se propone una mirada procesual que permita abordar las grandes discusiones que se han dado y se dan actualmente en este campo, con el objetivo de comprender y analizar cómo esas categorías, definiciones y transformaciones (dimensión institucional) se han operativizado o no en realidades concretas y situadas (dimensión empírica). Para ello, se aborda un caso de estudio del centro de la provincia de Buenos Aires, Argentina, vinculado con la celebración de colectivos inmigrantes en una ciudad intermedia. Finalmente, se examina cómo la pandemia de COVID-19 generó otros modos de pensar la definición de patrimonio inmaterial y sus alcances prácticos. Se empleó un enfoque cualitativo de corte etnográfico, basado en entrevistas, registros y observación participante. Los resultados ponen de manifiesto la capacidad de un evento festivo y sus manifestaciones culturales para promover la sustentabilidad sociocultural, la pandemia como oportunidad y el periodo de pospandemia como momento de fortalecimiento de las expresiones inmateriales.
Em 2003, com a aprovação da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da Unesco, foi estabelecida uma definição de patrimônio cultural imaterial que, ao longo de mais de 20 anos, vem sendo objeto de mudanças e atualizações quase constantes. Nesse contexto, este artigo reconstrói os debates desenvolvidos tanto em organismos internacionais quanto no meio acadêmico entre 2003 e 2025. Sem a pretensão de oferecer uma análise exaustiva, propõe-se uma perspectiva processual que permita abordar as principais discussões que marcaram e ainda marcam esse campo, com o objetivo de compreender e analisar como essas categorias, definições e transformações (dimensão institucional) foram — ou não — operacionalizadas em realidades concretas e situadas (dimensão empírica). Para isso, analisa-se um estudo de caso realizado no centro da província de Buenos Aires, Argentina, relacionado às celebrações de coletivos de imigrantes em uma cidade de médio porte. Por fim, examina-se como a pandemia de covid-19 suscitou novas formas de compreender a definição de patrimônio cultural imaterial e seus desdobramentos práticos. Empregou-se uma abordagem qualitativa de caráter etnográfico, baseada em entrevistas, registros e observação participante. Os resultados evidenciam a capacidade de um evento festivo e de suas manifestações culturais para promover a sustentabilidade sociocultural, a pandemia como oportunidade e o período pós-pandemia como momento de fortalecimento das expressões culturais imateriais.
Since the adoption of UNESCO's Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage in 2003, the definition of intangible cultural heritage has undergone almost continuous revision and refinement for more than two decades. Against this backdrop, this article traces the debates that have taken place within both international organizations and academia between 2003 and 2025. Rather than offering an exhaustive review, it adopts a processual perspective to examine the major debates that have shaped—and continue to shape—the field. Its aim is to understand how these categories, definitions, and conceptual developments (the institutional dimension) have—or have not—been translated into concrete, situated realities (the empirical dimension). To this end, the article examines a case study from central Buenos Aires Province, Argentina, focusing on celebrations organized by immigrant communities in an intermediate city. Finally, it explores how the COVID-19 pandemic prompted new ways of conceptualizing intangible cultural heritage and rethinking its practical implications. The study employed a qualitative ethnographic approach based on interviews, field records, and participant observation. The findings highlight the capacity of a festive event and its associated cultural expressions to promote sociocultural sustainability, reveal how the pandemic created new opportunities, and identify the post-pandemic period as a time of renewed strengthening of intangible cultural expressions.