Iria Noa de la Fuente Roldán
, Jorge García Burgos
, Esteban Sánchez Moreno
El sinhogarismo es una forma extrema de exclusión social que, con frecuencia, se ha abordado desde estrategias de intervención estandarizadas que presentan limitaciones para responder a la diversidad de trayectorias y necesidades de las personas afectadas. Esta limitación se acentúa en grupos con características específicas, como es el caso de las personas jóvenes en situación de sinhogarismo y exclusión residencial (PJsSH). En este sentido, el objetivo del artículo es explorar las percepciones de las personas jóvenes afectadas por este fenómeno en España para identificar elementos que orienten el diseño de los programas de intervención social. La investigación se basa en una metodología cualitativa centrada en la realización de tres grupos de discusión en los que participaron 21 PJsSH. Mediante la revisión de los discursos obtenidos, se analizan las expectativas iniciales respecto a los programas de intervención, las limitaciones detectadas en su funcionamiento y las propuestas que las personas participantes consideran prioritarias. Los resultados permiten identificar las dimensiones que deben tener en cuenta los programas de intervención en sinhogarismo juvenil. Entre ellas, se destacan las prestaciones sociales y las ayudas económicas, el acompañamiento en los ámbitos social, emocional, formativo y laboral, así como el asesoramiento especializado administrativo y jurídico. Asimismo, cobran relevancia el acceso a espacios de ocio y tiempo libre, la disponibilidad de tecnologías digitales, la atención a la salud mental y a las adicciones, y el fortalecimiento de las relaciones sociales mediante el fomento del apoyo social y comunitario. Además, el trabajo permite destacar la importancia de incorporar la participación de las PJsSH en la construcción de políticas públicas más inclusivas y sensibles a la complejidad de sus trayectorias vitales.
Homelessness is an extreme form of social exclusion that has often been addressed through standardized intervention strategies with limited capacity to respond to the diverse trajectories and needs of those affected. This limitation is particularly evident among groups with specific characteristics, such as young people experiencing homelessness and housing exclusion. Against this background, this article explores the perceptions of young people affected by this phenomenon in Spain in order to identify elements that can inform the design of social intervention programmes. The study adopts a qualitative approach based on three focus groups involving 21 young people experiencing homelessness and housing exclusion. Analysis of the resulting discussions examines participants’ initial expectations of intervention programmes, the limitations they identified in their implementation, and the proposals they considered most important. The findings identify the key dimensions that should be incorporated into programmes addressing youth homelessness. These include social benefits and financial assistance; support in the social, emotional, educational, and employment spheres; and specialized administrative and legal guidance. Access to leisure and recreational opportunities, the availability of digital technologies, mental health and addiction services, and the strengthening of social relationships through enhanced social and community support also emerged as important priorities. The study also underscores the importance of involving young people experiencing homelessness and housing exclusion in the development of more inclusive public policies that are responsive to the complexity of their life trajectories.
A situação de rua constitui uma forma extrema de exclusão social que frequentemente tem sido abordada por meio de estratégias padronizadas de intervenção, as quais apresentam limitações para responder à diversidade de trajetórias e necessidades das pessoas afetadas. Essa limitação torna-se ainda mais evidente em grupos com características específicas, como jovens em situação de rua e exclusão residencial. Nesse contexto, o objetivo deste artigo é explorar as percepções desses jovens na Espanha, a fim de identificar elementos que subsidiem a elaboração de programas de intervenção social. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa baseada na realização de três grupos de discussão, dos quais participaram 21 jovens em situação de rua e exclusão residencial. A análise dos discursos produzidos permitiu examinar as expectativas iniciais em relação aos programas de intervenção, as limitações identificadas em seu funcionamento e as propostas consideradas prioritárias pelos participantes. Os resultados apontam dimensões fundamentais para o desenvolvimento de programas voltados a jovens em situação de rua, incluindo benefícios sociais e apoio financeiro, suporte social, emocional, educacional e para a inserção no mercado de trabalho, além de orientação administrativa e jurídica especializada. Também se destacam a importância do acesso a espaços de lazer e convivência, às tecnologias digitais, aos serviços de saúde mental e de atenção às dependências, bem como o fortalecimento das redes de apoio social e comunitário. O estudo ressalta ainda a necessidade de incorporar a participação desses jovens na formulação de políticas públicas mais inclusivas e sensíveis à complexidade de suas trajetórias de vida.