O artigo tem por objetivo analisar o ódio como expressão política no Brasil, em período que circunda as duas últimas eleições presidenciais (2018, 2022). Reflete sobre a descontextualização da política no espaço e tempo, polarizando-se nas redes sociais, nas ruas e ambientes privados. A extensão do tempo da política fortaleceu a radicalidade de ações agenciadas pelo discurso do ódio e alimentadas pela personalização de lideranças e descrença no funcionamento das instituições. A investigação adotou uma perspectiva etnográfica, privilegiando lugares e formas de observação do objeto adequadas a uma postura analítica que valoriza as articulações entre teoria e vida cotidiana.