México
La salud ambiental infantil se configura a partir de la interacción entre condiciones ambientales, sociales y territoriales que generan exposiciones diferenciadas desde etapas tempranas del curso de vida. En contextos caracterizados por pobreza, marginación social y actividades productivas específicas, estas exposiciones tienden a acumularse y normalizarse, produciendo desigualdades persistentes en salud. Este estudio analiza las desigualdades en salud ambiental infantil desde un enfoque interseccional, considerando la articulación entre edad, género y territorio, mediante la aplicación del Índice de Escenarios Humanitarios (IEH) en dos comunidades rurales de México con características contrastantes.
El IEH integra componentes estructurales, ambientales, directos y culturales, permitiendo identificar configuraciones territoriales complejas de demanda en ambiente y salud. Los resultados muestran que, si bien los valores globales del IEH no siempre difieren de manera significativa entre mujeres y hombres, existen configuraciones internas diferenciadas del riesgo según grupo etario y territorio. La infancia presenta características particulares dentro del Escenario Humanitario, con cargas relevantes en las dimensiones cultural y ambiental. A partir de una lectura interseccional, el análisis trasciende la desagregación por sexo y sitúa el género como una experiencia socialmente organizada del riesgo, vinculada a prácticas cotidianas, arreglos de cuidado y posiciones diferenciadas dentro del territorio.
Adicionalmente, la integración de herramientas de percepción infantil mediante el análisis de dibujos revela procesos de normalización del riesgo ambiental en el imaginario de niñas y niños, complementando la lectura cuantitativa del IEH y reforzando la necesidad de intervenciones comunitarias sensibles al territorio, al género y al curso de vida.
Children’s environmental health is shaped by the interaction between environmental, social, and territorial conditions that generate differentiated exposures from early stages of the life course. In contexts characterized by poverty, social marginalization, and specific productive activities, these exposures tend to accumulate and become normalized, producing persistent health inequalities. This study analyzes inequalities in children’s environmental health from an intersectional approach, considering the articulation between age, gender, and territory, through the application of the Humanitarian Scenarios Index (HSI) in two rural communities in Mexico with contrasting characteristics.
The HSI integrates structural, environmental, direct, and cultural components, allowing the identification of complex territorial configurations of environmental and health-related demand. The results show that, although the global HSI values do not always differ significantly between women and men, there are differentiated internal configurations of risk according to age group and territory. Childhood presents particular characteristics within the Humanitarian Scenario, with relevant burdens in the cultural and environmental dimensions. Through an intersectional reading, the analysis transcends sex disaggregation and positions gender as a socially organized experience of risk, linked to everyday practices, care arrangements, and differentiated positions within the territory.
Additionally, the integration of child perception tools through the analysis of drawings reveals processes of normalization of environmental risk in the imaginaries of girls and boys, complementing the quantitative reading of the HSI and reinforcing the need for community-based interventions sensitive to territory, gender, and the life course.
A saúde ambiental infantil é configurada a partir da interação entre condições ambientais, sociais e territoriais que geram exposições diferenciadas desde as etapas iniciais do curso de vida. Em contextos caracterizados por pobreza, marginalização social e atividades produtivas específicas, essas exposições tendem a se acumular e a se normalizar, produzindo desigualdades persistentes em saúde. Este estudo analisa as desigualdades em saúde ambiental infantil a partir de uma abordagem interseccional, considerando a articulação entre idade, gênero e território, por meio da aplicação do Índice de Cenários Humanitários (ICH) em duas comunidades rurais do México com características contrastantes.
O ICH integra componentes estruturais, ambientais, diretos e culturais, permitindo identificar configurações territoriais complexas de demanda em ambiente e saúde. Os resultados mostram que, embora os valores globais do ICH nem sempre diferenciem significativamente entre mulheres e homens, existem configurações internas diferenciadas de risco segundo grupo etário e território. A infância apresenta características particulares no Cenário Humanitário, com cargas relevantes nas dimensões cultural e ambiental. A partir de uma leitura interseccional, a análise transcende a desagregação por sexo e situa o gênero como uma experiência socialmente organizada do risco, vinculada a práticas cotidianas, arranjos de cuidado e posições diferenciadas dentro do território.
Adicionalmente, a integração de ferramentas de percepção infantil por meio da análise de desenhos revela processos de normalização do risco ambiental no imaginário de meninas e meninos, complementando a leitura quantitativa do ICH e reforçando a necessidade de intervenções comunitárias sensíveis ao território, ao gênero e ao curso de vida.