Santiago, Chile
El artículo propone un encuadre analítico para abordar el activismo feminista a partir de una reflexión teórica sobre los procesos de corporización en la experiencia feminista. Para el desarrollo del argumento, se recurre a la noción de tensiones corporeizadas, entendida como los conflictos, las contradicciones y las ambivalencias generadas en el tránsito dialéctico entre una femineidad instituida —leída desde el binarismo de género— y la (co)construcción de un proyecto político feminista orientado a la autonomía y la autoafirmación. Particularmente, la propuesta se interesa por conocer los modos en que dichas tensiones se expresan en cuatro ámbitos que han sido relevantes para la teoría y el movimiento feminista: la sexualidad, la estética, la performance y las emociones. Asimismo, el foco está puesto en cómo dichas tensiones se gestionan y comunican en distintos niveles (individual, grupal y público), al comprender que el cuerpo condensa las contradicciones propias de moverse entre la femineidad y un proyecto feminista, y que esta experiencia se vuelve más compleja cuando se comprende desde una perspectiva interseccional. Uno de los principales aportes del artículo es otorgar importancia empírica a los procesos de corporización en el activismo feminista, al sostener que estos están mediados por dinámicas sociales organizadas en torno a ejes de poder múltiples e imbricados (género, clase social y raza/etnicidad, entre otros). Así, las tensiones que se viven desde y con el cuerpo pueden incrementarse, reforzarse, amortiguarse o apaciguarse en relación con otros vectores de poder que deriven en privilegios u opresiones hacia las corporalidades que se activan en torno al feminismo. Son las tensiones corporeizadas las que darán forma al activismo tanto en espacios íntimos como colectivos, pues estas mismas permitirán que las corporalidades establezcan alianzas con otras, fraguando amistades políticas y constituyendo espacios de solidaridad específicos.
This article develops an analytical lens for examining feminist activism grounded in a theoretical reflection on processes of embodiment within feminist experience. It centers on the notion of embodied tensions, understood as the conflicts, contradictions, and ambivalences that emerge through the dialectical interplay between an instituted form of femininity—interpreted within a gender binary— and the (co)construction of a feminist political project aimed at autonomy and self- affirmation. The analysis pays particular attention to how these tensions take shape across four domains that have been especially relevant to feminist theory and activism: sexuality, aesthetics, performance, and emotions. It also considers how such tensions are handled and expressed at different levels—individual, group, and public—recognizing that the body concentrates the contradictions involved in navigating between femininity and a feminist project. This experience becomes more layered when approached from an intersectional perspective. A key contribution of the article is its emphasis on the empirical significance of embodiment processes within feminist activism, highlighting that these are shaped by social dynamics structured around multiple, overlapping axes of power (including gender, social class, and race/ethnicity). In this sense, tensions experienced in and through the body may intensify, be reinforced, softened, or alleviated depending on how they intersect with other power relations that generate privilege or oppression for the bodies engaged in feminist practice. These embodied tensions ultimately shape activism in both intimate and collective contexts, enabling bodies to build alliances, form political friendships, and create specific spaces of solidarity.
O artigo propõe uma estrutura analítica para abordar o ativismo feminista com base em uma reflexão teórica sobre os processos de corporização na experiência feminista. Para o desenvolvimento do argumento, foi usada a noção de tensões corporizadas, entendida como os conflitos, as contradições e as ambivalências gerados no trânsito dialético entre uma feminilidade instituída — lida a partir do binarismo de gênero — e a (co)construção de um projeto político feminista orientado para a autonomia e a autoafirmação. Em particular, a proposta busca conhecer as formas nas quais essas tensões são expressas em quatro áreas que têm sido relevantes para a teoria e o movimento feministas: a sexualidade, a estética, a performance e as emoções. Igualmente, o foco está em como essas tensões são gerenciadas e comunicadas em diferentes níveis (individual, grupal e público), entendendo que o corpo condensa as contradições inerentes de transitar entre a feminilidade e um projeto feminista, e que essa experiência se torna mais complexa quando entendida a partir de uma perspectiva interseccional. Uma das principais contribuições do artigo é dar importância empírica aos processos de corporização no ativismo feminista, argumentando que eles são mediados por dinâmicas sociais organizadas em torno de múltiplos e entrelaçados vetores de poder (gênero, classe social e raça/etnia, entre outros). Assim, as tensões que são vividas a partir de e com o corpo podem ser aumentadas, reforçadas, atenuadas ou apaziguadas em relação a outros eixos de poder que derivam em privilégios ou opressões em relação às corporalidades ativadas em torno do feminismo. São tensões corporizadas que moldarão o ativismo tanto em espaços íntimos quanto coletivos, pois permitirão que as corporeidades estabeleçam alianças com outras, forjando amizades políticas e constituindo espaços específicos de solidariedade.