Perú
Han pasado veinte años desde la Comisión de la Verdad y Reconciliación del Perú (2001-2003) y desde la creación de la Comisión Multisectorial de Alto Nivel (2004), encargada del seguimiento de las reparaciones a las víctimas del conflicto armado interno (1980-2000). Actualmente, el país se encuentra gobernado por una coalición autoritaria hostil a los derechos humanos; sin embargo, subsiste un conjunto de servidores públicos que sostienen estas políticas dentro de algunas agencias estatales que identificamos como un subsistema de reparaciones y búsqueda de desaparecidos. Este artículo tiene como objetivo analizar los perfiles de estos funcionarios del Viceministerio de Derechos Humanos y Acceso a la Justicia —a quienes la literatura peruana ha prestado nula atención al centrarse en el sector economía, y que las propias víctimas nos hicieron notar en investigaciones anteriores—, en las oficinas de Lima (capital) y Ayacucho (región que concentró la mayoría de violaciones a los derechos humanos del conflicto). Se emplea una metodología cualitativa basada en entrevistas a servidores públicos limeños y ayacuchanos, líderes ayacuchanos de víctimas y especialistas. Se identifican tres perfiles de servidores públicos (institucional-humanitario, víctima y técnico), que comparten —con matices— valores en torno a los derechos humanos. Sin embargo, se diferencian en sus itinerarios profesionales (y vivenciales): algunos están más ligados a ONG limeñas, mientras que otros a organizaciones de víctimas o a instituciones técnico-forenses. Al compartir espacios comunes, se conocen y conforman una red temática colaborativa cuyos miembros circulan entre las diferentes agencias del subsistema con base en sus credenciales profesionales. Este artículo busca aportar a la literatura peruana sobre burocracias, en tanto que no se han estudiado las características y las trayectorias de los burócratas intermedios (menos aún los del sector justicia). Así, se contribuye, a nivel empírico, a evidenciar la diversidad al interior de este estrato del aparato estatal.
Two decades after Peru's Truth and Reconciliation Commission (2001-2003) concluded its work and the High-Level Multisectoral Commission was established in 2004 to oversee reparations for victims of the internal armed conflict (1980-2000), the country finds itself under the rule of an authoritarian coalition hostile to human rights. Yet, within certain state institutions, a group of public officials continues to uphold these policies. We conceptualize these agencies as part of a subsystem dedicated to reparations and the search for the disappeared. This article examines the profiles of officials working within Peru's Vice Ministry of Human Rights and Access to Justice, both in Lima and Ayacucho—the region that endured the highest concentration of human rights violations during the conflict. Although these actors have received little attention in the Peruvian literature, which has largely focused on the economic sector, their significance emerged clearly in our previous research through the testimonies of victims themselves. Drawing on a qualitative methodology, the study analyzes interviews conducted with public officials based in Lima and Ayacucho, leaders of victims' organizations in Ayacucho, and subject-matter experts. The findings reveal three distinct profiles of public officials—institutional-humanitarian, victim, and technical. While these groups share, to varying degrees, a commitment to human rights values, they differ in both their professional trajectories and life experiences. Some have stronger connections to Lima-based NGOs, whereas others are more closely linked to victims' organizations or technical and forensic institutions. Through their interactions in shared professional spaces, they have developed a collaborative thematic network whose members circulate among the different agencies within the subsystem on the basis of their professional credentials. By focusing on these actors, this article contributes to the Peruvian literature on bureaucracies, a field that has paid scant attention to the characteristics and career trajectories of mid-level bureaucrats, particularly those working in the justice sector. Empirically, the study highlights the diversity that exists within this segment of the state apparatus.
Vinte anos se passaram desde a Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru (2001-2003) e desde a criação da Comissão Multisetorial de Alto Nível (2004), responsável pelo acompanhamento das reparações destinadas às vítimas do conflito armado interno (1980-2000). Atualmente, o país é governado por uma coalizão autoritária hostil aos direitos humanos; no entanto, ainda existe um grupo de servidores públicos que sustenta essas políticas dentro de algumas agências estatais que identificamos como um subsistema de reparações e busca pelos desaparecidos. Este artigo tem como objetivo analisar os perfis desses funcionários do Vice-Ministério dos Direitos Humanos e Acesso à Justiça — aos quais a literatura peruana praticamente não dedicou atenção, ao privilegiar o estudo do setor econômico, e que as próprias vítimas nos apontaram em pesquisas anteriores — nos escritórios de Lima (capital) e Ayacucho (a região que concentrou a maioria das violações de direitos humanos do conflito). Uma metodologia qualitativa é utilizada com base em entrevistas com servidores públicos de Lima e Ayacucho, líderes ayacuchanos de vítimas e especialistas em Ayacucho. São identificados três perfis de servidores públicos (institucional- humanitário, vítima e técnico), que compartilham — com nuances — valores em torno dos direitos humanos. Contudo, eles diferem em seus itinerários profissionais (e vivenciais): alguns estão mais ligados a ONGs de Lima, enquanto outros a organizações de vítimas ou instituições técnico-forenses. Ao compartilhar espaços comuns, eles se conhecem e formam uma rede temática colaborativa cujos membros circulam entre as diferentes agências do subsistema com base em suas credenciais profissionais. Este artigo busca contribuir para a literatura peruana sobre burocracias, já que as características e trajetórias dos burocratas intermediários (e menos ainda as dos que atuam no setor da justiça) não foram estudadas. Assim, contribui, em nível empírico, para evidenciar a diversidade existente no interior desse estrato do aparato estatal.