Madrid, España
El objetivo del siguiente artículo es analizar los elementos singulares y característicos de la guerrilla ecuatoriana Alfaro Vive Carajo. Esta formación, de naturaleza revolucionaria, estuvo vigente entre 1983 y 1991, si bien sus orígenes se remontan a mediados de los setenta y su activismo armado prácticamente cesa a finales de 1986. Sin embargo, este análisis se desarrolla desde una perspectiva analítica de impronta transnacional, en tanto se muestra cómo muchos de los aspectos organizativos, tácticos y estratégicos de Alfaro Vive Carajo estaban influenciados por las guerrillas Movimiento de Liberación Nacional-Tupamaros de Uruguay y, sobre todo, por el M-19 colombiano. Una influencia que, en todo caso, como dará cuenta el trabajo, no es una mera extrapolación, pues, junto con ella, hay un sentido adaptativo y posibilista, marcado por las particularidades de Ecuador y, en concreto, de Quito y Guayaquil, para acoger proyectos guerrilleros que implican el recurso de la violencia política. Para poner en evidencia esta condición, se recurre a una numerosa documentación y a testimonios de reconocidos integrantes de Alfaro Vive Carajo, quienes fueron entrevistados para la elaboración de esta investigación. Así, se evidencia cómo la circularidad de ideas y la colaboración transnacional de formaciones revolucionarias son imprescindibles para entender el caso alfarista, siempre en tensión (y contradicción) entre la utopía revolucionaria y la realidad de las condiciones de disputa frente al Estado ecuatoriano.
This article examines the distinctive and defining features of the Ecuadorian guerrilla organization Alfaro Vive Carajo. Revolutionary in nature, the group remained active between 1983 and 1991, although its origins can be traced back to the mid-1970s, and its armed activity had virtually come to an end by late 1986. The study adopts a transnational analytical perspective, highlighting the extent to which many of the organizational, tactical, and strategic dimensions of Alfaro Vive Carajo were influenced by Uruguay’s Movimiento de Liberación Nacional–Tupamaros and, above all, by Colombia’s M-19. As the article illustrates, however, this influence did not amount to a simple transplantation of external models. Rather, it was accompanied by an adaptive and pragmatic approach shaped by Ecuador’s specific conditions and, more particularly, those of Quito and Guayaquil, as settings that could accommodate guerrilla projects rooted in the use of political violence. To demonstrate this, the research draws on extensive documentary sources as well as testimonies from prominent members of the Alfaro Vive Carajo organization, interviewed specifically for this study. The analysis thus reveals that the circulation of ideas and the transnational collaboration among revolutionary organizations are essential to understanding the alfarista experience, which was constantly marked by tension (and contradiction) between revolutionary utopia and the realities of confronting the Ecuadorian state.
O objetivo deste artigo é analisar os elementos únicos e característicos da guerrilha equatoriana Alfaro Vive Carajo. Essa formação, de natureza revolucionária, esteve em vigor entre 1983 e 1991, embora suas origens remontem a meados dos anos 1970 e seu ativismo armado praticamente tenha cessado no final de 1986. No entanto, essa análise é desenvolvida a partir de uma perspectiva analítica de caráter transnacional, pois mostra como muitos dos aspectos organizacionais, táticos e estratégicos do Alfaro Vive Carajo foram influenciados pelo Movimento de Libertação Nacional- Tupamaros, do Uruguai, e, acima de tudo, pelo M-19 colombiano. Uma influência que, de qualquer forma, como o estudo demonstra, não é mera extrapolação, pois, junto com ela, há um sentido adaptativo e possibilista, marcado pelas particularidades do Equador e, especificamente, de Quito e Guayaquil, para acolher projetos guerrilheiros que envolvem o recurso à violência política. Para destacar essa condição, são utilizados numerosos documentos e testemunhos de membros reconhecidos do Alfaro Vive Carajo, que foram entrevistados para a elaboração desta pesquisa. Assim, é evidente como a circularidade das ideias e a colaboração transnacional das formações revolucionárias são essenciais para entender o caso alfarista, sempre em tensão (e contradição) entre a utopia revolucionária e a realidade das condições de confronto com o Estado equatoriano.