Brasil
The commercialization of handicrafts has become an important livelihood strategy adopted by the Kaingang Indigenous people within the context of tourism activity in southern Brazil, particularly in the states of Paraná, Santa Catarina, and Rio Grande do Sul. This study addresses Kaingang mobility in one of their territories, the Rio das Cobras Indigenous Land, in Paraná. Through a qualitative field research methodology, the study investigated the meanings attributed by the Kaingang to the production and commercialization of handicrafts, as well as their perceptions regarding their experiences during trips to urban centers for the purpose of selling these products. Although such journeys are interpreted by Brazilian state and federal institutions as occurring within a context of vulnerability, Indigenous people understand them through two dimensions – pedagogical and territorial – which, when articulated with subsistence needs, allow for a broader understanding of the concept of territoriality.
Le commerce de l’artisanat constitue une importante alternative de subsistance mobilisée par les Autochtones kaingang dans le contexte de l’activité touristique dans le sud du Brésil, notamment dans les États du Paraná, de Santa Catarina et du Rio Grande do Sul. Cette recherche porte sur la mobilité kaingang dans l’un de leurs territoires, la Terre Indigène Rio das Cobras, située dans l’État du Paraná. À partir d’une méthodologie qualitative de terrain, l’étude a analysé les significations attribuées à la production et à la commercialisation de l’artisanat chez les Kaingang, ainsi que leurs perceptions des expériences vécues lors des déplacements vers les centres urbains dans le but de commercialiser ces produits. Bien que ces déplacements soient interprétés par les institutions étatiques et fédérales brésiliennes comme s’inscrivant dans un contexte de vulnérabilité, les Autochtones les comprennent à partir de deux dimensions – pédagogique et territoriale – qui, articulées aux nécessités de subsistance, permettent de formuler une compréhension plus large du concept de territorialité.
O comércio de artesanato tem sido uma importante alternativa de subsistência ativada por indígenas Kaingang no contexto da atividade turística na região sul do Brasil, nomeadamente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esta pesquisa aborda a mobilidade Kaingang em um dos seus territórios, a Terra Indígena Rio das Cobras, no Paraná. Através de uma metodologia de pesquisa qualitativa de campo, investigaram-se os significados atribuídos à produção e comercialização do artesanato entre os Kaingang, bem como suas percepções a respeito da situação vivenciada em viagens para centros urbanos com o objetivo de comercializá-lo. Embora essas viagens sejam lidas pelas instituições estaduais e federais brasileiras como ocorrendo em contexto de vulnerabilidade, os indígenas as compreendem a partir de duas dimensões – identitária e territorial – que, articuladas com as necessidades de subsistência, permitem formular uma compreensão mais ampla do conceito de territorialidade.