This papper critically examines Markus Gabriel’s arguments against naturalism and physicalism, arguing that his critique rests on a mistaken and reductive characterization of the target positions. First, it analyzes Gabriel’s central argument for the nonexistence of the world, which claims that the concept of an all-encompassing totality leads to paradoxes of self-reference. Next, the article demonstrates that Gabriel’s attack on physicalism focuses almost exclusively on a version of type-identity physicalism, neglecting more robust and currently dominant formulations such as supervenience physicalism, realization physicalism, or grounding physicalism, which are more resistant to many of his objections. It is argued that Gabriel illegitimately infers the impossibility of ontological hierarchies from the Kantian-Fregean logical-semantic thesis that existence is not a first-order predicate. While defending Gabriel against criticisms that portray him as an obscurantist or scientific denier, the article contends, in turn, that a non-reductionist naturalism is not only defensible but necessary as a metaphysical presupposition of scientific practice, thus avoiding both Gabriel’s critiques and the pitfalls of a naïve scientism.
Este artigo analisa criticamente os argumentos de Markus Gabriel contra o naturalismo e o fisicalismo, sustentando que sua crítica se baseia em uma caracterização equivocada e redutora de suas posições-alvo. Primeiramente, examina-se o argumento central de Gabriel para a inexistência do mundo, que postula que o conceito de uma totalidade onicompreensiva leva a paradoxos de autorreferência. Em seguida, o artigo mostra que a ofensiva de Gabriel contra o fisicalismo se concentra quase exclusivamente em uma versão do fisicalismo de identidade de tipos, ignorando as formulações mais robustas e dominantes, como o fisicalismo de superveniência, de realização ou de fundamento (grounding), que possuem mais resistência a muitas de suas objeções. Argumenta-se que Gabriel infere ilegitimamente a impossibilidade de hierarquias ontológicas a partir da tese lógico-semântica kantiano-fregeana de que a existência não é um predicado de primeira ordem. Não obstante, defende-se Gabriel de criticas que o reduzem a um obscurantista ou negacionista científico e em contrapartida, e argumenta-se, brevemente, que um naturalismo não-reducionista é não apenas defensável, mas pressuposto metafísico para a prática científica, evitando tanto as críticas de Gabriel quanto as armadilhas de um cientificismo ingênuo.