In this paper, we argue that the introduction of colonialism-racism as an interpretative axis of the process of Western modernity-modernization allows us to overcome two problematic assumptions of the normative paradigm of modernity: (a) the endogeny, autonomy, self-referentiality, and self-subsistence of modernity, which enables it to dispense, for its constitution and understanding, the others of modernity and, with this, erase colonialism-racism from its internal structure; and (b) the split and verticalization between modernity as an effective present, substantive actuality, and openness to the future, as post-traditional universalism via rationalization, versus all the others of modernity as an anthropological past, given its condition of traditionalism in general. Thus, colonialism-racism allows the positioning of difference, produced by modernity (in the form of this same colonialism-racism) as an powerful basis for the reconstruction of the philosophical-sociological discourse of modernity and, here, for the critique, reflexivity, and transformation of modernization, deconstructing this one-dimensional perspective that positions Europe as the source of all critique, all legitimacy, and all possibilities for transformation regarding the human. Difference would pluralize the histories, memories, and experiences of the modernity-colonialism-racism triad, making it possible to deconstruct the historical-sociological blindness that underlies this very self-understanding of Europe about itself and about anthropological difference.
Defendemos, no texto, que a introdução do colonialismo-racismo como eixo interpretativo do processo de modernidade modernização ocidental permite superar dois pressupostos problemáticos do paradigma normativo da modernidade: (a) a endogenia, a autonomia, a autorreferencialidade e a autossubsistência da modernidade, que lhe permite prescindir, para sua constituição e compreensão, dos outros da modernidade e, com isso, apagar o colonialismo-racismo de sua estrutura interna; e (b) a cisão e a verticalização entre a modernidade como presente efetivo, atualidade substantiva e abertura ao futuro, enquanto universalismo pós-tradicional via racionalização, versus todos os outros da modernidade como passado antropológico, dada sua condição de tradicionalismo em geral. Com isso, o colonialismo-racismo permite a colocação da diferença, produzida pela modernidade (sob a forma desse mesmo colonialismo-racismo) como base possibilitadora da reconstrução do discurso filosófico-sociológico da modernidade e, aqui, de crítica, reflexivização e transformação da modernização, desconstituindo essa perspectiva unidimensional que coloca a Europa como fonte de toda crítica, de toda legitimação e de todas as possibilidades de transformação relativamente ao humano. A diferença pluralizaria as histórias, as memórias e as experiências da tríade modernidade-colonialismo-racismo, tornando possível a desconstrução da cegueira histórico-sociológica que embasa essa mesma autocompreensão da Europa sobre si mesma e sobre a diferença antropológica.