Resumen: Este artículo analiza cómo las tomas de terreno ocurridas en Osorno durante el estallido social de 2019 dieron lugar a formas de organización espontánea que emergieron en un contexto marcado por la ausencia de dispositivos organizativos consolidados y por una institucionalidad local débil para sostener procesos de acción colectiva. Se examina cómo, bajo condiciones de incertidumbre y cambio acelerado, las familias movilizadas lograron activar respuestas situadas basadas en marcos emocionales compartidos y redes contingentes, configurando modos de coordinación rápidos y flexibles que hicieron posible la ocupación del terreno. Mediante una metodología cualitativa -que incluye diez entrevistas semiestructuradas y un análisis de prensa local- se exploran las condiciones que posibilitaron la reactivación de este repertorio de acción colectiva. Los resultados evidencian que la revuelta abrió una ventana de oportunidad para la movilización autónoma, impulsada por transformaciones emocionales y cognitivas que dieron lugar a nuevas formas de organización. Estas se caracterizan por principios de igualdad, el uso intensivo de redes sociales y un fuerte componente de trabajo comunitario. Se propone interpretar estas experiencias como expresiones de una agencia situada, que desafía las rutas institucionales de acceso a la vivienda y resignifica el territorio como un espacio político.
Resumo: Este artigo analisa como as ocupações de terreno ocorridas em Osorno durante o estallido social de 2019 deram origem a formas de organização espontânea que emergiram em um contexto marcado pela ausência de dispositivos organizativos consolidados e por uma institucionalidade local frágil para sustentar processos de ação coletiva. Examina-se como, em condições de incerteza e de mudança acelerada, as famílias mobilizadas foram capazes de ativar respostas situadas baseadas em marcos emocionais compartilhados e em redes contingentes, configurando modos de coordenação rápidos e flexíveis que possibilitaram a ocupação do terreno. A partir de uma metodologia qualitativa -que inclui dez entrevistas semiestruturadas e uma análise da imprensa local- exploram-se as condições que tornaram possível a reativação desse repertório de ação coletiva. Os resultados evidenciam que a rebelião abriu uma janela de oportunidade para a mobilização autônoma, impulsionada por transformações emocionais e cognitivas que deram origem a novas formas de organização. Essas formas se caracterizam por princípios de igualdade, uso intensivo de redes sociais e um forte componente de trabalho comunitário. Propõe-se interpretar essas experiências como expressões de uma agência situada, que desafia as vias institucionais de acesso à moradia e ressignifica o território como um espaço político.
Abstract: This article analyzes how the land occupations that took place in Osorno during the 2019 social uprising gave rise to forms of spontaneous organization that emerged in a context marked by the absence of consolidated organizational structures and by a local institutional framework too weak to sustain collective action processes. It analyzes how, under conditions of uncertainty and rapid social change, the families involved activated situated responses grounded in shared emotional frameworks and contingent networks, thereby configuring rapid and flexible modes of coordination that made the occupation possible. Through a qualitative methodology -including ten semi-structured interviews and an analysis of local press- the study explores the conditions that enabled the reactivation of this repertoire of collective action. The findings show that the uprising opened a window of opportunity for autonomous mobilization, driven by emotional and cognitive transformations that fostered new forms of organization. These forms are characterized by principles of equality, intensive use of social media, and a strong emphasis on community labor. The article argues that these experiences can be understood as expressions of situated agency that challenge institutional pathways to housing access and reframe the territory as a political space.