Carmen Castilla Vázquez
La religiosidad popular continúa ocupando un lugar central en la vida social y simbólica de numerosas comunidades españolas, pese a los procesos contemporáneos de laicismo y cambio social. Este artículo analiza la religiosidad popular desde una perspectiva antropológica basada en el trabajo de campo etnográfico, argumentando que estas prácticas no constituyen simples restos de tradiciones religiosas, sino espacios dinámicos donde se producen y negocian identidades colectivas, relaciones de género y procesos de patrimonialización cultural. Mediante la observación participante en rituales festivos y la realización de entrevistas en profundidad a miembros de hermandades y participantes en los rituales, se examina cómo las manifestaciones devocionales operan como formas de continuidad simbólica y pertenencia social en contextos de transformación social. El análisis muestra que la religiosidad popular funciona como un patrimonio vivo, capaz de resignificarse mediante nuevas formas de participación, discursos identitarios y mediaciones digitales. El artículo contribuye a los debates antropológicos sobre la religión vivida, el patrimonio cultural y la modernidad, proponiendo comprender la religiosidad popular como proceso social de producción comunitaria más que como una supervivencia tradicional.
Popular religiosity continues to occupy a central place in the social and symbolic life of numerous Spanish communities, despite contemporary processes of secularism and cultural change. This article analyzes popular religiosity from an anthropological perspective based on ethnographic fieldwork, arguing that these practices are not mere remnants of religious tradition, but dynamic spaces where collective identities, gender relations, and processes of cultural patrimonialization are produced and negotiated.Drawing on participant observation in festive rituals and in-depth interviews with members of brotherhoods and ritual participants, it examines how devotional practices operate as forms of symbolic continuity and social belonging in contexts of social transformation. The analysis 55Vol. 24, No. 110 -Aposta –ISSN: 1696-7348shows that popular religiosity functions as a living heritage, capable of being re-signified through new forms of participation, identity discourses, and digital mediations. The article contributes to anthropological debates on lived religion, cultural heritage, and modernity, proposing an understanding of popular religiosity as a social practice of communal production rather than as a traditional survival.
A religiosidade popular continua ocupando um lugar central na vida social e simbólica de inúmeras comunidades espanholas, apesar dos processos contemporâneos de laicismo e mudança social. Este artigo analisa a religiosidade popular a partir de uma perspectiva antropológica baseada no trabalho de campo etnográfico, argumentando que essas práticas não constituem meros resquícios de tradições religiosas, mas espaços dinâmicos onde se produzem e se negociam identidades coletivas, relações de gênero e processos de patrimonialização cultural. Por meio da observação participante em rituais festivos e da realização de entrevistas em profundidade com membros de irmandades e participantes dos rituais, examina-se como as manifestações devocionais operam como formas de continuidade simbólica e pertencimento social em contextos de transformação social. A análise mostra que a religiosidade popular funciona como um patrimônio vivo, capaz de se resignificar por meio de novas formas de participação, discursos identitários e mediações digitais. O artigo contribui para os debates antropológicos sobre a religião vivida, o patrimônio cultural e a modernidade, propondo compreender a religiosidade popular como um processo social de produção comunitária, mais do que como uma sobrevivência tradicional.