Coimbra (Sé Nova), Portugal
Considering that corporeality is central to Maurice Merleau-Ponty’s philosophical work, we will explore the possibility of conceiving a phenomenological aesthetic based on the haptic nature of vision, using cinematographic perception as a backdrop, understood as the "affective space" of intersubjectivity. To this end, alongside Maurice Merleau-Ponty, we will draw on other thinkers and artists who have considered or explored, through artistic means, this haptic dimension of the body, or the intrusion of vision and touch (haptic perception) into a space, an atmosphere, that is always emotional. Our goal is simply to show that, beyond more ontological, phenomenological, political, or cognitivist approaches, there can also be an aesthetic dimension in Merleau-Ponty’s thought, a dimension that has become more coherent and developed, particularly through the work of a new generation of researchers. Therefore, starting from a non-philosophy as true philosophy and arriving at the carnal body as the "exemplary sensible" of the structure of all being, we will seek to postulate the hypothesis of "haptic vision" as a fundamental expression of our being-in-the-world (ontological), as an opening, through desire, to the sensitive sense of the truth of events. Thus, our objective will simply be to see to what extent the expression "haptic vision" can inaugurate a new understanding of sensibility (aisthÄ“sis) and to what extent we can think of it philosophically from the "ontological rehabilitation of the sensible" (Merleau-Ponty). In this sense, art is an unsurpassed point of reference, for it offers us multiple "ways of seeing" (John Berg), that is, of seeing the seeing and seeing oneself (specular and reversible dimension of tactile or haptic vision), and of feeling our own existence in diverse ways, of inhabiting it beyond ourselves, not only with vision, but carnally, as the primordial revelation of human intercorporeal coexistence.
La corporéité étant au centre du travail philosophique de Maurice Merleau-Ponty, on se demandera s’il est possible de concevoir une esthétique phénoménologique à partir du caractère haptique de la vision, en ayant comme toile de fond la perception cinématographique, en tant que « espace affectif de l’intersubjectivité. C’est pourquoi, aux côtés de Maurice Merleau-Ponty, on mobilisera d’autres penseurs ou artistes qui ont pensé ou travaillé par la voie artistique cette dimension haptique du corps ou l’empiétement du regard et du toucher (perception haptique) dans un espace, dans une atmosphère, qui est toujours émotionnelle. Notre propos sera simplement de montrer, au-delà des approches plus ontologiques, phénoménologiques, politiques ou cognitivistes, qu’il y a peut-être aussi une pensée esthétique chez Merleau-Ponty, qui devient désormais plus cohérente et sédimentée, notamment par les travaux d’une nouvelle génération de chercheurs. Ainsi, en partant d'une a-philosophie comme vraie philosophie, pour en venir au corps charnel comme « sensible exemplaire » de la structure de tout l’être, nous essaierons de poser l’hypothèse de la « vision haptique » comme expression fondamental de notre être-au-monde (ontologique) en tant qu’ouverture par le désir au sens sensible de la vérité des événements. De cette manière, notre propos sera simplement de voir dans quelle mesure l’expression « vision haptique » peut inaugurer une nouvelle compréhension de la sensibilité (aisthÄ“sis), et dans quelle mesure nous pouvons la penser philosophiquement à partir de la « réhabilitation ontologique du sensible » (Merleau-Ponty). En ce sens, l’art est un point d’ancrage indépassable, puisqu’il nous donne des « ways of seeing » (John Berg), c’est-à -dire de voir le voir et de se voir (dimension spéculaire et réversible de la vision tactile ou haptique), et de sentir autrement notre propre existence, de l’habiter au-delà de soi-même, pas seulement avec le regard, mais charnellement, comme révélation primordiale d’une coexistence intercorporelle humaine.
Considerando que a corporeidade é central na obra filosófica de Maurice Merleau ‑Ponty, exploraremos a possibilidade de conceber uma estética fenomenológica baseada na natureza háptica da visão, utilizando como pano de fundo a percepção cinematográfica, entendida como o “espaço afectivo” da intersubjectividade. Para tal, a par de Merleau‑Ponty, recorreremos a outros pensadores e artistas que consideraram ou exploraram, através de recursos artísticos, esta dimensão háptica do corpo, ou a invasão da visão e do tacto (perceção háptica) num espaço, uma atmosfera, que é sempre emocional. O nosso objetivo é simplesmente mostrar, para além de abordagens mais ontológicas, fenomenológicas, políticas ou cognitivistas, que pode haver também uma dimensão estética no pensamento de Merleau ‑Ponty, uma dimensão que se tem vindo a tornar mais coerente e desenvolvida, particularmente através do trabalho de uma nova geração de investigadores. Assim sendo, partindo de uma a‑filosofia como verdadeira filosofia e chegando ao corpo carnal como o “sensível exemplar” da estrutura de todo o ser, procuraremos postular a hipótese da “visão háptica” como expressão fundamental do nosso ser‑no ‑mundo (ontológica), enquanto abertura, através do desejo, ao sentido sensível daverdade dos acontecimentos. Desta forma, o nosso objectivo será simplesmente ver em que medida a expressão “visão háptica” pode inaugurar uma nova compreensão da sensibilidade (aisthēsis) e em que medida podemos pensá ‑la filosoficamente a partir da “reabilitação ontológica do sensível” (Merleau ‑Ponty). Neste sentido, a arte é um ponto de referência insuperável, pois oferece ‑nos múltiplas “ways of seeing” (John Berg), quer dizer, de ver o ver e a ver ‑se (dimensão especular e reversível da visão táctil ou háptica), e de sentir de maneira diversa a nossa própria existência, de a habitar para além de nós mesmos, não apenas com a visão, mas carnalmente, como revelação primordial de uma coexistência intercorporal humana.