Brasil
This article examines the persistence of the "dark times" highlighted in Arendt’s philosophy, arguing that contemporary democratic regimes maintain forms of dehumanization through the adoption of the state of exception as an ordinary governing technique and the obscuring of public space. Drawing on the work of Hannah Arendt and Giorgio Agamben, the article shows how these mechanisms produce subjects excluded from legal protection and deprived of political recognition. The articulation between "dark times", "bare life", and "state of exception" reveals zones of indistinction that trivialize violence and abandonment, which echo throughout history and persist as a dilemma of our time.
Cet article examine la per-sistance des « temps sombres » évoqués par Hannah Arendt, en soutenant que les régimes démocratiques contemporains maintiennent des formes de déshumanisation par l’adoption de l’état d’exception comme technique ordinaire de gouvernement et l’obscurcissement de l’espace public. S’appuyant sur Arendt et Giorgio Agamben, le texte montre comment ces mécanismes produisent des sujets exclus de la protection juridique et privés de reconnaissance politique. Ainsi, l’articulation entre « temps sombres », « vie nue » et « état d’exception » met en évidence des zones d’in-distinction, qui banalisent la violence et l’abandon, qui résonnent dans l’histoire et restent comme un dilemme de notre temps.
Este artigo examina a persistência dos «tempos sombrios» da filosofia arendtiana, sustentando que regimes democráticos contemporneos mantêm formas de desumanização por meio da adoção do estado de exceção como técnica ordinária de governo e do obscurecimento do espaço público. Baseando-se em Hannah Arendt e Giorgio Agamben, o texto mostra como esses mecanismos produzem sujeitos excluídos da proteção jurídica e destituídos de reconhecimento político. Assim, a articulação entre «tempos sombrios», «vida nua» e «estado de exceção» evidencia zonas de indistinção, que banalizam a violência e o abandono, os quais ecoam na história e subsistem como um dilema do nosso tempo.