Jessia Albertina Carvalho da Silva, Katianny Gomes Santana Estival, Maria Josefina Vervloet Fontes
Segundo a CONAQ (Coordenação Nacional de Comunidades Quilombolas) no Brasil existem cerca de 130 mil famílias quilombolas, sendo que a maior parte ainda vivem em áreas rurais, visto que o nascimento dos quilombos foi uma escapatória encontradas pelos negros para conseguir esquivar-se da escravidão. No momento presente, essas comunidades abrem espaços para resistência e manutenção da cultura negra tendo sua sobrevivência ligada à liderança de mulheres negras. Assim, o presente estudo se propõe a identificar o papel da mulher negra empreendedora no assentamento Dandara dos Palmares na Cidade de Camamu, estado da Bahia, onde um grupo de mulheres auto intituladas quilombolas vem fazendo história a mais 19 anos, trazendo como referência o nome de Maria Andrelice Silva dos Santos, exemplo de liderança feminina nas comunidades rurais e quilombolas da região. Expostas a diversas formas de violência, tendo que lutar para garantir o sustento, as assentadas no Dandara auxiliam a mais de 65 famílias apoiadas na própria produção agrícola. Esse grupo de mulheres são afetadas diretamente pelos conflitos territoriais, e pela suspensão dos seus direitos impactando fortemente com o desenvolvimento social. Entretanto, criaram estratégias de resistência possibilitando a continuidade dessa comunidade, que notadamente se destaca pelo protagonismo feminino e negro.