Brasil
El constitucionalismo transformativo es una forma de interpretación jurídica que busca, a largo plazo, lograr una sociedad más justa, democrática y no excluyente. Por lo tanto, es una herramienta para transformar las estructuras existentes. En América Latina, el constitucionalismo transformativo internacional se vislumbra en la praxis de la Corte Interamericana de Derechos Humanos. A través de sus decisiones, la Corte promueve cambios en la conducta y las estructuras estatales para que estén más alineadas con los derechos humanos. Es en este punto, sin embargo, que nosotras cuestionamos la posibilidad de vincular el constitucionalismo transformativo internacional con el pensamiento decolonial. Este último se refiere específicamente a una línea de pensamiento que se aleja de la lógica de un mundo único, forjada por la modernidad capitalista eurocéntrica, marcada por relaciones de poder, dominación y subyugación. Promueve una pluralidad de voces y caminos, y busca el derecho a la diferencia y una epistemología contrahegemónica. Por lo tanto, a través de este texto, partimos de la siguiente hipótesis: considerar el constitucionalismo transformativo internacional como una herramienta que facilita la transformación social hacia la garantía de los derechos humanos, especialmente para quienes sufren violencia y exclusión, ¿podría considerarse una herramienta descolonial? ¿O nos impide analizar subjetivamente casos concretos, presentando únicamente una “capa descolonial”? Para responder a esta pregunta, además de realizar algunas consideraciones sobre las reflexiones mencionadas en un intento de verificar las líneas comunes, analizaremos la jurisprudencia más reciente de la Corte Interamericana en relación con Brasil. Lo haremos, en particular, para evaluar cómo sus decisiones permiten, o no, una aproximación a estas teorías, utilizando el enfoque y el lenguaje de la Corte en tres casos para abordar las violaciones perpetradas.
O constitucionalismo transformativo é uma forma de interpretação jurídica que visa permitir, a longo prazo, alcançar uma sociedade mais justa, democrática e não exclusiva. Assim, é uma ferramenta para transformar estruturas existentes. Na América Latina, o constitucionalismo transformador internacional é vislumbrado na práxis da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Por meio de suas decisões, a Corte promove mudanças na conduta e nas estruturas do Estado para que estejam mais alinhadas com os direitos humanos. É neste ponto, porém, que questionamos a possibilidade de vincular o constitucionalismo transformador internacional ao pensamento decolonial. Este último refere-se a uma linha de pensamento que se afasta da lógica de um único mundo, forjada pela modernidade capitalista eurocêntrica, que é marcada por relações de poder, dominação e subjugação. Promove uma pluralidade de vozes e caminhos, e busca o direito à diferença e uma contra-hegemônica. Assim, por meio deste artigo, partimos da seguinte hipótese: se considerarmos o constitucionalismo transformador internacional como uma ferramenta que permite a transformação social em direção à garantia dos direitos humanos, especialmente para aqueles que sofrem com violência e exclusão, poderia ele ser considerado uma ferramenta decolonial? Ou isso nos impede de analisar subjetivamente casos concretos, apresentando apenas uma “cobertura decolonial”? Para responder a essa pergunta, além de fazer algumas considerações sobre as ideias mencionadas na tentativa de verificar os traços comuns, analisaremos a jurisprudência mais recente da Corte Interamericana em relação ao Brasil. Isso será feito, em particular, para avaliar como suas decisões permitem — ou não — uma aproximação dessas teorias, usando a abordagem e a linguagem da Corte em três casos para tratar das violações cometidas.
Transformative constitutionalism is a form of legal interpretation, which intends to allow, in the long run, to achieve a more just, democratic, and non-exclusive society. Thus, it is a tool for transforming existing structures. In Latin America, international transformative constitutionalism is glimpsed in the praxis of the Inter-American Court of Human Rights. Through its decisions, the Court promotes changes in state conduct and structures to improve alignment with human rights. It is at this point, however, that we question the possibility of linking international transformative constitutionalism and decolonial thinking. The latter refers to a line of thought that moves away from the logic of a single world, forged by Eurocentric capitalist modernity, and marked by relations of power, domination and subjugation. It promotes a plurality of voices and paths, and seeks the right to be different and a counter-hegemonic epistemology. Hence, through this article, we part from the following hypothesis: considering international transformative constitutionalism as a tool that enables social transformation towards the assurance of human rights, especially for those who suffer from violence and exclusion, could it be considered a decolonial tool? Or does it stop us from subjectively analyzing concrete cases, presenting only a “decolonial cover”? To answer this question, we will examine the aforementioned ideas in an attempt to identify common features, and analyze the most recent jurisprudence of the Inter-American Court in relation to Brazil. We will do so, particularly, to evaluate how, and whether or not, its decisions reflect these theories, using the approach and language of the Court in three cases to address the violations perpetrated.