Almería, España
En este artículo se analiza la relación entre la salud mental, las experiencias de vacío existencial y la adhesión a discursos religiosos fundamentalistas en jóvenes musulmanes residentes en Almería (España) y en Sarajevo (Bosnia y Herzegovina). A través de 64 entrevistas en profundidad de carácter semiestructurado con jóvenes de entre los 18 y los 29 años, se exploraron trayectorias vitales marcadas por el sufrimiento psíquico, el aislamiento y la búsqueda de sentido. El enfoque metodológico fue cualitativo y comparativo, orientado al análisis temático de los discursos. Los resultados revelan que, tanto en Almería como en Sarajevo, muchos jóvenes acceden a versiones normativas del islam por medio de redes sociales, especialmente mediante videos, sermones y comunidades digitales. Esta religiosidad estructurada cumple una función emocional central: estabiliza, da contención simbólica y proporciona una brújula moral. Sin embargo, también puede derivar en dinámicas de repliegue identitario, rigidez normativa y aislamiento social. El artículo sostiene que el fundamentalismo no siempre es producto de convicciones ideológicas previas, sino que, en muchos casos, constituye una respuesta psicosocial ante el desarraigo afectivo, la ansiedad y la fragilidad subjetiva. La religiosidad deviene así en refugio ante un entorno percibido como inhóspito, más que en una continuidad cultural. Estos hallazgos permiten repensar el papel ambivalente de la fe en contextos juveniles marcados por el sufrimiento emocional y aportan claves para el diseño de políticas públicas de salud mental que integren la dimensión simbólica del malestar en la construcción de una cultura de paz.
This article explores how mental health, experiences of existential emptiness, and adherence to fundamentalist religious discourses intersect in the lives of Muslim youth in Almería (Spain) and Sarajevo (Bosnia and Herzegovina). Based on 64 semi-structured, in-depth interviews with participants aged 18 to 29, the study traces life stories marked by psychological distress, isolation, and an ongoing search for meaning. Using a qualitative, comparative approach, the analysis focuses on recurring themes in their narratives. Across both cities, many young people encounter normative interpretations of Islam primarily through social media—especially videos, sermons, and online communities. This structured form of religiosity plays a pivotal emotional role by offering stability, symbolic containment, and a moral reference point. At the same time, it can foster identity withdrawal, normative rigidity, and social isolation. The article argues that fundamentalism is not always rooted in preexisting ideological commitments; in many cases, it emerges as a psychosocial response to affective displacement, anxiety, and subjective vulnerability. In this sense, religiosity becomes a refuge in an environment perceived as inhospitable rather than an expression of cultural continuity. These findings shed light on the ambivalent place of faith in youth contexts marked by emotional suffering and offer useful insights for designing public mental health policies that acknowledge the symbolic dimension of distress in efforts to build a culture of peace.
Este artigo analisa a relação entre saúde mental, experiências de vazio existencial e adesão a discursos religiosos fundamentalistas em jovens muçulmanos que vivem em Almeria (Espanha) e Sarajevo (Bósnia e Herzegovina). Por meio de 64 entrevistas semiestruturadas e aprofundadas com jovens entre 18 e 29 anos, foram exploradas trajetórias de vida marcadas por sofrimento psíquico, isolamento e busca por sentido. A abordagem metodológica foi qualitativa e comparativa, orientada para a análise temática dos discursos. Os resultados revelam que, tanto em Almería quanto em Sarajevo, muitos jovens acessam versões normativas do Islã por meio das redes sociais, especialmente em vídeos, sermões e comunidades digitais. Essa religiosidade estruturada cumpre uma função emocional central: estabiliza, proporciona contenção simbólica e fornece uma bússola moral. No entanto, também pode levar a dinâmicas de retirada de identidade, rigidez normativa e isolamento social. O artigo argumenta que o fundamentalismo nem sempre é produto de convicções ideológicas anteriores, mas que, em muitos casos, constitui uma resposta psicossocial ao desenraizamento afetivo, à ansiedade e à fragilidade subjetiva. Assim, a religiosidade torna-se um refúgio em um ambiente que é percebido como inóspito, em vez de uma continuidade cultural. Essas descobertas nos permitem repensar o papel ambivalente da fé em contextos juvenis marcados pelo sofrimento emocional e fornecem chaves para a criação de políticas públicas de saúde mental que integram a dimensão simbólica do desconforto na cons trução de uma cultura de paz.