Este artículo propone una lectura comparada de dos teorías feministas contemporáneas que desarrollan nuevos análisis del capitalismo: la teoría de Nancy Fraser, basada en el concepto de capitalismo caníbal, y la de Christine Delphy, que busca construir una teoría general de la explotación. Ambos análisis muestran la necesidad de desbordar (o ampliar) el marxismo clásico para visibilizar otras formas de explotación/dominación, que se conceptualizan como bases no reconocidas del proceso de producción económico o bien como relaciones sociales estructurales. A partir de este análisis, nos interesa mostrar las convergencias entre el enfoque feminista posmarxista o postsocialista de Fraser y el enfoque feminista materialista de Christine Delphy, pero también las distancias que motivan la autoadscripción de sus respectivas formuladoras en diferentes corrientes, igualmente situadas dentro de los feminismos anticapitalistas (no liberales). Ello permitirá, al final del recorrido, trazar un contrapunto entre las teorías de la reproducción social y los feminismos materialistas en Francia, diálogo escasamente abordado a la fecha, que amerita -según argumentaremos- un análisis específico sobre los modos en que se entienden las bases materiales de la opresión capitalista y sus mecanismos de funcionamiento.
This article proposes a comparative reading of two contemporary feminist theories that develop new analyses of capitalism: Nancy Fraser's theory, based on the concept of cannibal capitalism, and Christine Delphy's theory, which seeks to construct a general theory of exploitation. Both analyses highlight the need to transcend (or expand) classical Marxism to make visible other forms of exploitation/dominance, which are conceptualized either as background conditions of the economic production process or as structural social relations. Based on this analysis, we aim to show the convergences between Fraser's post-Marxist or post-socialist feminist approach and Christine Delphy's materialist feminist approach, but also the distances that motivate their self-identification within different currents, all situated within anti-capitalist (non-liberal) feminisms. Ultimately, this will allow us to draw a contrast between the theories of social reproduction and materialist feminisms in France, a dialogue that has been scarcely addressed to date and which, as we will argue, warrants a specific analysis of how the material bases of capitalist oppression and their mechanisms of operation are understood.
Este artigo propõe uma leitura comparada de duas teorias feministas contemporâneas que desenvolvem novas análises do capitalismo: a teoria de Nancy Fraser, baseada no conceito de capitalismo canibal, e a de Christine Delphy, que busca construir uma teoria geral da exploração. Ambas análises mostram a necessidade de ultrapassar (ou ampliar) o marxismo clássico para visibilizar outras formas de exploração/dominação, que são conceitualizadas como bases não reconhecidas do processo de produção econômico ou como relações sociais estruturais. A partir dessa análise, nos interessa mostrar as convergências entre a abordagem feminista pós-marxista ou pós-socialista de Fraser e a abordagem feminista materialista de Christine Delphy, mas também as distâncias que motivam a autoadscrição de suas respectivas formuladoras em diferentes correntes, igualmente situadas dentro dos feminismos anticapitalistas. Isso permitirá, ao final do percurso, traçar um contraponto entre as teorias da reprodução social e os feminismos materialistas na França, um diálogo pouco abordado até o momento, que justifica - como argumentaremos - uma análise específica sobre os modos como se entendem as bases materiais da opressão capitalista e seus mecanismos de funcionamento.