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Este artículo propone una reflexión, a partir de la Trilogía Antropofágica (2016/2017) de la coreógrafa uruguaya Tamara Cubas, sobre la incorporación caníbal como estrategia creativo-estético-política capaz de desafiar las lógicas coloniales y capitalistas que atraviesan la danza contemporánea. Se estimula un pensamiento que se nutre de alianzas subversivas, donde el cuerpo es terreno de disputa y potencia epistemológica. La danza se aborda como espacio de experimentación para reinventar la relación con la alteridad, defendiendo la urgencia de pensar desde una ontología del apetito corporal en la intersección entre políticas de la memoria, cuerpo-archivo y autoría. El texto se inscribe en el debate sobre la dietética como regulación de los apetitos corporales y s ometimiento del deseo al gobierno de la razón (Campos Salvaterra, 2023), proponiendo que el sistema artístico institucional convierte esta regulación en una cuestión ontológica: prohibir el acto de comer cuerpos implica prohibir nutrirse de otras epistemologías, de crear en términos propios. La obra de Cubas se presenta así como una aliada filosófico-corporal para reapropiar el apetito por la alteridad como gesto de resistencia y alianza, y para repensar el cuerpo más allá de su binarización.
This article reflects with Tamara Cubas’s Trilogía Antropofágica (Anthropophagic Trilogy, 2016/2017), on cannibal incorporation as an aesthetic-political creative strategy that challenges colonial and capitalist logics embedded in contemporary dance. It aims to stimulate a mode of thinking nourished by subversive alliances, where the body becomes a site of dispute and epistemic potential. Dance is approached as a space of experimentation to reinvent the relationship with alterity, advocating for an ontology of bodily appetite at the intersection of memory politics, the body-asarchive, and authorship. The text engages with debates on dietetics as a system for regulating bodily appetites and subjecting desire a nd pleasure to t he rule of reason (Campos Salvaterra 2023), proposing that the institutional artistic system turns dietetics into a n ontological question: prohibiting the act of eating bodies implies prohibiting the act of nourishing oneself w ith other epistemologies, of creating on one’s own terms. Cubas’s work emerges as a philosophical-corporeal ally for reclaiming appetite for alterity as a gesture of resistance and alliance, and for rethinking the body beyond binary frameworks
Este artigo propõe uma reflexão, a pa rtir da Trilogía Antropofágica (2016/2017) da coreógrafa uruguaia Tamara Cubas, sobre a i ncorporação canibal como estratégia criativa estético-política que desafia as lógicas coloniais e capitalistas presentes na dança contemporânea. Busca-se estimular um modo de pensamento nutrido por a lianças subversivas, onde o c orpo se torna território de d isputa e potência epistemológica. A dança é abordada como espaço de experimentação para reinventar a relação com a alteridade, defendendo uma ontologia do apetite corporal na interseção entre políticas da memória, corpo-arquivo e autoria. O texto dialoga com os debates sobre a dietética como sistema de regulação dos apetites corporais e de submissão do desejo e do prazer ao governo da razão (Campos Salvaterra 2023), propondo que o sistema artístico institucional transforma a dietética em uma questão ontológica: proibir o ato de comer corpos implica proibir o ato de nutrir-se de outras epistemologias, de criar em termos próprios. A obra de Cubas emerge como aliada filosófico-corporal para reivindicar o apetite pela alteridade como gesto de resistência e aliança, e para repensar o corpo para além dos enquadramentos binários.