Hungría
Este artículo revisa críticamente la demanda, compartida tanto por el giro ontológico en antropología como por ciertas pensadoras indígenas en la academia, de tomar las afirmaciones ontológicas de los pueblos indígenas de forma literal y no metafórica. A partir de las reflexiones de Jacques Derrida sobre la imposibilidad de una literalidad o metaforicidad puras, se sostiene que esta distinción reproduce la metafísica de la presencia y el humanismo trascendental que estructuran el pensamiento occidental, precisamente lo que el pensamiento indígena busca desmantelar y que, sin embargo, el foco en la ontología tiende a reinstaurar. El análisis se centra en la obra de Zoe Todd, quien, a través de su “filosofía crítica indígena sobre los peces”, propone una lectura literal de las relaciones humano/animal en su contexto. Se argumenta que el pez, siempre escurridizo en el lenguaje y la etnografía, permite pensar la imposibilidad de fijar un sentido único, reforzando la defensa de la interpretación y la metáfora frente al esencialismo ontológico. En este cruce entre deconstrucción, pensamiento indígena y antropología, se plantea como políticamente más fértil reivindicar la multiplicidad de los modos de decir frente a la multiplicidad de los modos de ser, en particular mediante la reapertura del lenguaje alimentario como campo filosófico y político.
This article critically examines the demand, shared by the ontological turn in anthropology and Indigenous thought in academia, to take the ontological claims of Indigenous peoples literally rather than metaphorically. Drawing on Jacques Derrida’s reflections on the impossibility of pure literality or metaphoricity, Iargue that this distinction reproduces the metaphysics of presence and the transcendental humanism structuring Western thought—precisely what Indigenous thought seeks to dismantle, yet a focus on ontology tends to reinstate. The work of Indigenous scholar, artist, and philosopher Zoe Todd is analyzed, particularly her “Critical Indigenous Fish Philosophy,” which advances a literal reading of human/animal relations in her context. By bringing deconstruction, Indigenous thought, and anthropology into dialogue, I contend that the affirmation of pluralities of being—characteristic of the ontological turn—does not escape Western essentialism, and that it is politically more significant to affirm the multivocity of language than ontological multiplicity. In doing so, the article defends interpretation and metaphor as forms of resistance, particularly by reopening alimentary language as a philosophical and political field.
Este artigo examina criticamente a reivindicação, compartilhada pela virada ontológica na antropologia e por certas pensadoras indígenas no âmbito acadêmico, de tomar as afirmações ontológicas dos povos indígenas de forma literal e não metafórica. A partir das reflexões de Jacques Derrida sobre a impossibilidade de uma literalidade ou metaforicidade puras, sustento que essa distinção reproduz a metafísica da presença e o humanismo transcendental que estruturam o pensamento ocidental —precisamente aquilo que o pensamento indígena busca desmantelar, mas que o foco na ontologia tende a reinstaurar. Analisa-se a obra da acadêmica, artista e filósofa indígena Zoe Todd, que, por meio de sua “filosofia crítica indígena sobre os peixes”, propõe uma leitura literal das relações humano/animal em seu contexto. Ao colocar em diálogo a desconstrução, o pensamento indígena e a antropologia, argumento que a afirmação de múltiplas formas de ser — característica do giro ontológico — não escapa ao essencialismo ocidental e que é politicamente mais interessante reivindicar a multiplicidade dos modos de dizer do que a multiplicidade ontológica. Assim, propõe-se uma defesa da interpretação e da metáfora como formas de resistência, em particular através da reabertura da linguagem alimentar como campo filosófico e político.