Socorro, Portugal
Socorro, Portugal
The recovery of communal lands (baldios) in Portugal by rural communities that had historically managed them began in the wake of the Carnation Revolution, following decades of state intervention. Drawing on the case of Northeastern Portugal (Vila Real and Bragança), this article examines the forms of collective action underpinning the struggle for the restitution of the baldios, the emergence of local social movements, and the communities’ capacity for mobilization. Two main phases are identified: an initial period (1974–1976) characterised by spontaneous popular action, and a second phase, between 1976 and 1979, marked by institutional consolidation after the approval of the Constitution and the Commons Law. The study argues that the baldios became a central way for asserting rural autonomy and contesting state authority.
La récupération des terres communautaires (baldios) au Portugal par les communautés rurales qui les avaient historiquement gérées s’est amorcée à la suite de la Révolution des Œillets, après plusieurs décennies d’intervention de l’État. À partir du cas du nord-est du Portugal (Vila Real et Bragança), cet article examine les formes d’action collective qui ont soutenu la lutte pour la restitution des baldios, l’émergence de mouvements sociaux locaux et la capacité de mobilisation des communautés. Deux grandes phases sont identifiées : une première (1974–1976), marquée par une action populaire spontanée, et une seconde, entre 1976 et 1979, caractérisée par la consolidation institutionnelle consécutive à l’adoption de la Constitution et de la Loi sur les terres communautaires. L’étude montre que les baldios se sont constitués en un espace central d’affirmation de l’autonomie rurale et de contestation du pouvoir étatique.
A recuperação dos baldios em Portugal pelas comunidades rurais que historicamente os geriam teve início na sequência da Revolução dos Cravos, após várias décadas de intervenção estatal. Com base no caso do nordeste de Portugal (distritos de Vila Real e Bragança), este artigo analisa as formas de ação coletiva que sustentaram a luta pela restituição dos baldios, a emergência de movimentos sociais locais e a capacidade de mobilização das comunidades envolvidas. Identificam-se duas fases principais: uma primeira (1974-1976), marcada pela mobilização popular espontânea, e uma segunda, entre 1976 e 1979, caracterizada pela consolidação institucional resultante da aprovação da Constituição e da Lei dos Baldios. Argumenta-se que os baldios se tornaram um espaço central de afirmação da autonomia rural e de contestação da autoridade.