Sevilla, España
Este artículo, con especial atención a la violencia vicaria de género, analiza la tensión entre la libertad de expresión en su aspecto creativo y la protección de los derechos de las víctimas, en el contexto del considerable aumento del protagonismo del true crime. Cuando este tipo de relatos tiene el potencial de ser un medio para revictimizar, al reproducir el daño que se ha padecido, prolongando sus efectos, es fundamental delimitar los márgenes legales de la libertad creativa. La situación se agrava en los casos de violencia vicaria de género, ya que su invisibilidad y la falta de entendimiento a nivel jurídico y social han creado un vacío normativo que propicia una situación de desprotección estructural y sistemática. La metodología utilizada combina el análisis doctrinal, jurisprudencial y normativo, con el estudio de casos mediáticos y resoluciones judiciales recientes. Los resultados de la investigación evidencian una respuesta legal fragmentaria frente a nuevas formas de violencia estructural, dentro del contexto mediático del true crime. Se argumenta que la intervención del Derecho penal debe ser proporcionada, asegurando la salvaguarda efectiva de las víctimas sin menoscabar el ejercicio legítimo de la libertad creativa. Se propone la tipificación autónoma y explícita de la violencia vicaria de género, así como la implementación de acciones concretas para limitar la difusión mediática revictimizante en situaciones de vulnerabilidad a través del establecimiento de límites al true crime desde el paradigma restaurativo, como medio para la prevención del delito y la reparación de la víctima.
Este artigo, com especial atenção à violência vicária de gênero, analisa a tensão entre a liberdade de expressão em seu aspecto criativo e a proteção dos direitos das vítimas, no contexto do aumento considerável da proeminência do true crime. Quando esse tipo de relato tem o potencial de ser um meio de revitimização, ao reproduzir o dano sofrido e prolongar seus efeitos, é fundamental delimitar os limites legais da liberdade criativa. A situação agrava-se nos casos de violência vicária de gênero, uma vez que sua invisibilidade e a falta de compreensão a nível jurídico e social criaram um vazio normativo que propicia uma situação de desproteção estrutural e sistemática. A metodologia utilizada combina a análise doutrinária, jurisprudencial e normativa, com o estudo de casos mediáticos e resoluções judiciais recentes. Os resultados da investigação evidenciam uma resposta jurídica fragmentária face a novas formas de violência estrutural, no contexto midiático do true crime. Argumenta-se que a intervenção do Direito Penal deve ser proporcionada, garantindo a salvaguarda efetiva das vítimas sem prejudicar o exercício legítimo da liberdade criativa. Propõe-se a tipificação autônoma e explícita da violência vicária de gênero, bem como a implementação de ações concretas para limitar a divulgação midiática revitimizante em situações de vulnerabilidade, através do estabelecimento de limites ao true crime a partir do paradigma restaurativo, como meio de prevenção do crime e reparação da vítima.
This article, with a special focus on vicarious gender violence, analyzes the tension between freedom of expression in its creative aspect and the protection of victims' rights, in the context of the considerable increase in the prominence of true crime. When such stories have the potential to revictimize by reproducing the harm that has been suffered and prolonging its effects, it is essential to define the legal limits of creative freedom. The situation is exacerbated in cases of vicarious gender violence, as its invisibility and lack of understanding at the legal and social levels have created a regulatory vacuum that fosters a situation of structural and systematic vulnerability. The methodology used combines doctrinal, jurisprudential, and regulatory analysis with the study of media cases and recent court rulings. The results of the research reveal a fragmented legal response to new forms of structural violence within the media context of true crime. It is argued that the intervention of criminal law must be proportionate, ensuring the effective protection of victims without undermining the legitimate exercise of creative freedom. The study proposes the autonomous and explicit criminalization of vicarious gender violence, as well as the implementation of concrete actions to limit revictimizing media coverage in situations of vulnerability through the establishment of limits on true crime from a restorative paradigm, as a means of crime prevention and victim redress.