Leioa, España
La política de la ciencia, tecnología e innovación (CTI) de la Unión Europea está sujeta a una serie de tensiones no resueltas en torno a cómo se concibe y gobierna la responsabilidad. A partir de un análisis de documentos estratégicos de la política europea de CTI, este artículo identifica dos conjuntos de aproximaciones a la responsabilidad en disputa. Uno de ellos, categorizado como “principio de innovación”, se centra en promover la autonomía estratégica, la competitividad y el despliegue acelerado de tecnologías. El otro, categorizado aquí como “principio de democratización”, y vinculado a las acepciones más transformadoras de propuestas tales como Investigación e Innovación Responsables (RRI) o Ciencia Abierta (OS), busca impulsar procesos CTI más inclusivos y deliberativos. El artículo identifica cuatro características clave en lo que respecta a las relaciones entre los dos principios: i) la convivencia tensionada entre ellos se encuentra enraizada en una divergencia ideológica de base; ii) ambos principios comparten una crítica al marco dominante de gobernanza basado en el riesgo, aunque partiendo de motivaciones y posturas contrapuestas; iii) el “principio de innovación” prevalece frente al “principio de democratización”; y iv) la asunción institucional según la cual hitos de difícil convivencia (por ejemplo, crecimiento económico y sostenibilidad) pueden coexistir armónicamente refuerza al “principio de innovación” frente al de “democratización”. El artículo defiende que una gobernanza democrática de la CTI exige reconocer y confrontar estas tensiones.
The European Union’s science, technology, and innovation (STI) policy is subject to a series of unresolved tensions regarding how responsibility is conceived and governed. Drawing on an analysis of key strategic documents, this article identifies two competing approaches to responsibility. The first, categorised as the “principle of innovation”, emphasises the promotion of strategic autonomy, competitiveness, and the accelerated deployment of technologies. The second, referred to here as the “principle of democratisation” and associated with the more transformative interpretations of frameworks such as Responsible Research and Innovation (RRI) or Open Science (OS), seeks to foster more inclusive and deliberative STI processes. The article highlights four key features of the relationship between these two principles: i) their tense coexistence is rooted in a fundamental ideological divergence; ii) both share a critique of the dominant risk-based governance framework, albeit from opposing motivations and normative commitments; iii) the “principle of innovation” consistently prevails over the “principle of democratisation”; and iv) the institutional assumption that inherently conflicting goals (e.g. economic growth and sustainability) can coexist harmoniously reinforces the “principle of innovation” at the expense of the “principle of democratisation”. It is argued that a democratic governance of STI requires acknowledging and directly confronting these tensions.
A política de ciência, tecnologia e inovação (CTI) da União Europeia está sujeita a uma série de tensões não resolvidas em torno de como se concebe e se governa a responsabilidade. Com base na análise de documentos estratégicos da política europeia de CTI, este artigo identifica dois conjuntos de aproximações em disputa. O primeiro, categorizado como “princípio da inovação”, centra-se na promoção da autonomia estratégica, da competitividade e da implementação acelerada de tecnologias. O segundo, aqui denominado “princípio da democratização” e associado às acepções mais transformadoras de propostas como a Investigação e Inovação Responsáveis (RRI) ou a Ciência Aberta (OS), busca fomentar processos de CTI mais inclusivos e deliberativos. O artigo identifica quatro características centrais nas relações entre esses dois princípios: i) a convivência tensionada entre ambos está enraizada numa divergência ideológica de base; ii) os dois compartilham uma crítica ao quadro dominante de governança baseado no risco, embora a partir de motivações e posicionamentos opostos; iii) o “princípio da inovação” prevalece sobre o “princípio da democratização”; e iv) a assunção institucional de que marcos de difícil conciliação (por exemplo, crescimento econômico e sustentabilidade) podem coexistir harmonicamente reforça o “princípio da inovação” em detrimento do da “democratização”. Conclui-se que uma governança democrática da CTI requer o reconhecimento e o enfrentamento dessas tensões.