[2]
;
Fernanda Mendes Lages Ribeiro
[2]
;
Camila Athayde de Oliveira Dias
[2]
;
Tatiana Giovanelli Vedovato
[1]
;
Corina Helena Figueira Mendes
[2]
Brasil
Migrant women face obstacles throughout their migration processes depending on social class, race/ethnicity,gender, migratory status, nationality, among other factors. From an intersectional perspective and considering the marks of oppression, this text aims to analyze the care work carried out by four migrant women in Brazil, their challenges and their agency, understanding their (re)existences in the face of migratory processes, intersectional oppressions, the care they provide to cope with them, and labor and economic precarity. As a methodological approach, we conducted four individual interviews virtually due to the pandemic period (between 2022 and 2023) and produced field diaries, guiding our reflections through oral history and thematic content analysis. Our categories of analysis included: the challenges of migratory processes and oppressions; care as a means of confronting oppressions; and care as economic and family subsistence. The results highlight the complexity of self-care, family care, and community care, showing how important it is for maintaining culture and language, for adapting to life in Brazil, for providing long-distance care to family members who remained in their homeland, and for confronting racial, xenophobic, sexist, and patriarchal violence. Care ensures the cultural and emotional preservation of their knowledge within family and groups, and it is through this care that migrants attempt to integrate into the labor market for economic and family subsistence. Regarding their leadership roles, we observed that they lead social movements seeking their rights as Latin American migrants, freefrom all forms of violence, emphasizing the need for effective public policies on work and health for people in displacement.
As mulheres migrantes enfrentam percalços ao longo de seus processos migratórios a depender da classe social, raça/etnia, gênero, status migratório, nacionalidade, dentre outros. A partir da perspectiva interseccional e das marcas das opressões, o objetivo do texto é analisar o trabalho de cuidado realizado por quatro mulheres migrantes no Brasil, seus desafios e seus agenciamentos, compreendendo suas (re)existências face aos processos migratórios, às opressões interseccionais e os cuidados que realizam para seus enfrentamentos, e à precarização laboral e econômica. Como caminho metodológico, realizamos quatro entrevistas individuais na modalidade virtual devido ao período pandêmico (período entre 2022 e 2023) e produzimos diários de campo, guiando nossas reflexões por meio da história oral e da análise de conteúdo temática. Como categorias de análise elencamos: os desafios dos processos migratórios e as opressões; o cuidado como enfrentamento das opressões; e o cuidado como subsistência econômica e familiar. Os resultados apontam a complexidade do trabalho de cuidado de si, familiar e comunitário, mostrando o quanto ele é importante para a manutenção da cultura e da língua, para as adaptações no Brasil, para o cuidado à distância aos familiares que permaneceram na terra natal e para os enfrentamentos das violências raciais, xenofóbicas, sexistas e machistas. O cuidado garante a manutenção cultural e afetiva de seus saberes entre família e grupos, e é por meio dele que as migrantes tentam se integrar no mercado de trabalho para a subsistência econômica e familiar. Com relação aos seus protagonismos, verificamos que elas lideram movimentos sociais em busca de seus direitos como migrantes latino-americanas e livres de todas as formas de violências, enfatizando a necessidade de políticas públicas de trabalho e de saúde eficazes para as pessoas em deslocamentos.