Brasil
El objetivo de este artículo es presentar y analizar dos objetos de la comunicación social brasileña sobre la realidad urbana de la Primera República (1889-1930). Estas narrativas modernas, reunidas como en una película documental, fueron construidas por el cronista João do Rio y el fotógrafo Vincenzo Pastore. La información periodística de la época actuaba como si los problemas sociales debieran ser ocultados, silenciados, olvidados y mágicamente resueltos. El enfoque interpretativo de los autores evidencia, a partir de dos ciudades –Río de Janeiro y São Paulo–, las actividades de los excluidos de la sociedad brasileña, con el propósito de romper con el punto de vista hegemónico de la comunicación social (periódicos y revistas). La fundamentación teórica, que discute las transformaciones urbanas brasileñas, se estructura a partir de las referencias de Nicolau Sevcenko (1998), cuyo argumento sostiene que, en el contexto moderno, las nuevas élites cosmopolitas dirigieron la gestión política y capitalista. El resultado de esta mirada retrospectiva es el rescate de un inventario empírico, de fuente primaria, orientado a desentrañar significados a la luz de los principios asimétricos de la Modernidad de Bruno Latour (1994): la ruptura en el flujo regular del tiempo y el conflicto entre vencedores y vencidos. Tras el Bicentenario de la Independencia (1822-2022), el país sigue siendo un punto frágil, sintetizando en sus tierras tropicales la deshumanidad congelada en el tiempo.
Abstract: The aim of this article is to present and analyze two objects of Brazilian social communication concerning the urban reality of the First Republic (1889–1930). These modern narratives, brought together as if in a documentary film, were constructed by the chronicler João do Rio and the photographer Vincenzo Pastore. Journalistic information of the time acted as if social problems had to be hidden, silenced, forgotten, and magically resolved. The authors’ interpretative approach highlights, through two cities—Rio de Janeiro and São Paulo—the activities of those excluded from Brazilian society, seeking to break with the hegemonic perspective of social communication (newspapers and magazines). The theoretical framework, which discusses Brazilian urban transformations, is structured around the references of Nicolau Sevcenko (1998), whose argument is that, in the modern context, the new cosmopolitan elites commanded political and capitalist management. The result of this retrospective gaze is the recovery of an empirical inventory, based on primary sources, aimed at unveiling meanings in light of the asymmetrical principles of Modernity proposed by Bruno Latour (1994): the rupture in the regular flow of time and the conflict between winners and losers. After the Bicentennial of Independence (1822–2022), the country remains a fragile point, synthesizing in its tropical lands the inhumanity frozen in time.
O objetivo deste artigo é apresentar e analisar dois objetos da comunicação social brasileira sobre a realidade urbana da Primeira República (1889-1930). Essas narrativas modernas, reunidas como em um filme documentário, foram construídas pelo cronista João do Rio e pelo fotógrafo Vincenzo Pastore. A informação jornalística da época atuava como se os problemas sociais devessem ser escondidos, silenciados, esquecidos e magicamente resolvidos. O enfoque interpretativo dos autores evidencia, a partir de duas cidades – Rio de Janeiro e São Paulo –, as atividades dos excluídos da sociedade brasileira, buscando romper com o ponto de vista hegemônico da comunicação social (jornais e revistas). A fundamentação teórica, que discute as transformações urbanas brasileiras, é estruturada pelas referências de Nicolau Sevcenko (1998), cujo argumento é de que, no contexto moderno, as novas elites cosmopolitas comandaram a gestão política e capitalista. O resultado desse olhar retrospectivo é o resgate de um inventário empírico, de fonte primária, voltado a desvendar sentidos à luz dos princípios assimétricos da Modernidade de Bruno Latour (1994): a ruptura no fluxo regular do tempo e o conflito entre vencedores e vencidos. Após o Bicentenário da Independência (1822-2022), o país continua sendo um ponto frágil, sintetizando em suas terras tropicais a desumanidade congelada no tempo.