El presente artículo tiene como objetivo analizar cómo las prácticas de asistencia en salud fueron incorporadas a las estrategias administrativas para la buena gestión de los complejos cafetaleros del interior de la provincia de Río de Janeiro en la segunda mitad del siglo XIX. El llamado Valle del Paraíba Fluminense era una región importante para la economía del Imperio brasileño de la época, debido a la alta producción y exportación de café, dependiente del trabajo esclavizado. Con la Ley Eusébio de Queiróz (1850) y la prohibición del tráfico internacional de personas esclavizadas, el mantenimiento de la salud pasó a recomendarse como forma de prolongar su vida útil en las plantaciones cafetaleras, evitando los impactos derivados de esta nueva realidad. Entre las iniciativas observadas en la región, se destacan la construcción de hospitales rurales e incluso la adopción de la hidroterapia como forma de tratamiento. Con ello, se observa la popularización de la ciencia médica al ser incorporada a los hábitos sociales, a través de una élite rural receptiva a sus conocimientos, que los adaptó a sus demandas más urgentes, validándolos, valorizándolos y reconstruyéndolos desde la práctica cotidiana.
This article aims to analyze how healthcare practices were incorporated into administrative strategies for the effective management of coffee-growing complexes in the interior of the Province of Rio de Janeiro during the second half of the 19th century. The so-called Paraíba Valley (Fluminense) was an important region for the Brazilian Empire’s economy at the time, due to its high coffee production and exportation, which depended on enslaved labor. Following the Eusébio de Queiróz Law (1850) and the prohibition of the international slave trade, maintaining the health of enslaved individuals became a recommended strategy to prolong their productive life on the coffee plantations, thus mitigating the consequences of this new reality. Among the initiatives observed in the region, we highlight the construction of rural hospitals and even the use of hydrotherapy as a treatment method. This context reveals the popularization of medical science as it became integrated into social practices, through a rural elite receptive to scientific knowledge—adapting it to their most pressing needs, thereby validating, valuing, and reconstructing it through everyday use.
O presente artigo tem o objetivo de analisar como práticas de assistência à saúde foram incorporadas às estratégias administrativas para a boa gestão dos complexos cafeeiros do interior da Província do Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. O chamado Vale do Paraíba Fluminense era uma importante região para a economia do Império brasileiro à época, devido à alta produção e exportação do café, dependentes da mão de obra escravizada. Com a Lei Eusébio de Queiroz (1850) e a proibição do tráfico internacional de cativos, a manutenção da saúde passou a ser recomendada como forma de prolongar sua vida útil nas lavouras cafeeiras, evitando impactos consequentes desta nova realidade. Entre as iniciativas encontradas na região, destacaremos a construção dos hospitais-rurais e até mesmo a escolha pela hidroterapia como forma de tratamento. Observaremos, com isso, a popularização da ciência médica ao ser incorporada aos hábitos sociais, através de uma elite rural receptiva aos seus conhecimentos, adaptando-os às suas demandas mais urgentes, sendo assim validados, valorizados e reconstruídos pela população.