Brasil
This article critically analyzes the limits of the modern paradigm in the face of the contemporary planetary crisis and proposes sociobioeconomy as a normative and ontological alternative to the dominant technocratic rationality. Based on an interdisciplinary and historical-structural approach, the text articulates contributions from the history of science, political ecology, and ecological economics to examine the modern construction of science, the economic model centered on the exploitation of nature, and the impacts of this arrangement in the context of the Anthropocene. Drawing on authors such as Kuhn, Shiva, Leff, Latour, and Passet, as well as empirical data from international organizations, it discusses the need for a transition to models that recognize the centrality of biodiversity, traditional knowledge, and socio-environmental justice. In this trajectory, sociobioeconomy emerges as an integrated proposal for ecological regeneration, community protagonism, and epistemic pluralism, particularly in the territories of the Brazilian Amazon. The study concludes that overcoming the civilizational crisis requires not only technological innovations but, above all, a paradigm shift grounded in an ethic of care, in reciprocity among knowledge systems, and in the valuing of life in all its complexity. Sociobioeconomy thus arises as a promising horizon for a new ecological and civilizational pact.
Este artigo analisa criticamente os limites do paradigma moderno diante da crise planetária contemporânea e propõe a sociobioeconomia como alternativa normativa e ontológica à racionalidade tecnocrática dominante. Com base em abordagem interdisciplinar e histórico-estrutural, o texto articula contribuições da história da ciência, ecologia política e economia ecológica para examinar a construção moderna da ciência, o modelo econômico centrado na exploração da natureza e os impactos desse arranjo no contexto do Antropoceno. A partir de autores como Kuhn, Shiva, Leff, Latour e Passet, além de dados empíricos de organismos internacionais, discute-se a necessidade de transição para modelos que reconheçam a centralidade da biodiversidade, dos saberes tradicionais e da justiça socioambiental. Nesse percurso, destaca-se a sociobioeconomia como proposta integrada de regeneração ecológica, protagonismo comunitário e pluralismo epistêmico, em especial nos territórios da Amazônia brasileira. O estudo conclui que superar a crise civilizatória exige não apenas inovações tecnológicas, mas sobretudo uma mudança de paradigma ancorada na ética do cuidado, na reciprocidade entre saberes e na valorização da vida em sua complexidade. A sociobioeconomia desponta, assim, como horizonte promissor para um novo pacto ecológico e civilizacional.