Sofìa Aboim
This essay offers a postcolonial reading of Portuguese society through a sociological lens, taking an interdisciplinary approach that incorporates history, anthro-pology, cultural studies and social psychology. It examines the persistence of colonialism in the sensory regimes, focusing on three interrelated dimensions: racialised violence, the resil-ience of luso-tropicalism as a technology of power, and aes-thetic forms of resistance that challenge hegemonic codes of perception. Engaging with sensory studies, the essay mobilises the sensorium as an analytical device to explore the coloniality inscribed in the senses. Decolonisation is thus presented as an analytical, political and sensory undertaking that requires epis-temic reconfiguration. The final question is not rhetorical, but methodological: what must be felt to decolonise?
Este ensaio propõe uma leitura pós-colonial da sociedade portuguesa a partir da sociologia, articulando uma abordagem interdisciplinar que convoca a história, a antropologia, os estudos culturais e a psicologia social. Ana-lisa-se a persistência do colonialismo nos regimes sensoriais que estruturam o presente, explorando três frentes: a violência racializada, a resiliência do luso-tropicalismo como tecnolo-gia de poder e as estéticas de resistência que desafiam os códi-gos hegemónicos de perceção. Dialogando com o campo dos estudos sensoriais, o texto convoca o sensorium como dispo-sitivo analítico para compreender a colonialidade inscrita nos sentidos. Descolonizar é, aqui, uma tarefa analítica, política e sensorial que exige reconfiguração epistémica. A questão final não é retórica, mas metodológica: o que é preciso sentir para descolonizar?