Neste artigo analisa-se a articulação entre democratização, direitos sociais e participação política em Portugal. Explora-se, primeiro, como a participação política tem sido marcada por níveis baixos e desigualdades sociais e, depois, a forma como, a partir de 2010, a austeridade e a retração dos direitos sociais reconfiguraram os repertórios de protesto e alargaram a participação, sem contudo romper com os padrões de desigualdade. Argumenta-se ainda que o protesto se tem centrado na defesa dos direitos sociais e do legado democrático do 25 de Abril, revelando as tensões entre desafeição política e novas dinâmicas de ação coletiva.