Neste artigo pretende ‑se meditar sobre o conceito de ambiência e a sua relação com os fenómenos psicopatológicos, recuperando, para isso, a leitura que Bruce Bégout fez da obra de Eugène Minkowski. Pretende‑se demonstrar o modo como as ambiências representam um elemento constitutivo da vida, indissociável da estrutura vivida de qualquer perturbação mental, tal como das relações e orientações que constituem a investigação e intervenção médicas contemporâneas. Nesse sentido, realizaremos uma exploração do espaço “mersivo” das ambiências e da sua relação com o “espaço da noite”, atravessando a dinâmica das ambiências na integração do espaço e tempo vividos, para posteriormente analisarmos a depressão como uma possível “perturbação da ambiência”. O nosso objectivo final será firmar a “dimensão ambiencial” como um pré ‑requisito a uma ciência “ampla” e “humana”.
This article aims to reflect on the concept of ambience and its relationship with psychopathological phenomena, revisiting Bruce Bégout’s reading of Eugène Minkowski’s work. The aim is to demonstrate how ambiences represent a constitutive element of life, inseparable from the lived structure of any mental disorder, as well as from the relationships and orientations that constitute contemporary medical research and intervention. In this sense, we will explore the “mersive” space of ambiences and their relationship with the “space of the night”, traversing the dynamics of ambiences in the integration of lived space and time, to subsequently analyze depression as a possible “disturbance of ambience”. Our ultimate goal will be to establish the recognition of “ambiences” as a prerequisite for a “broad” and “human” science.
Cet article vise à réfléchir au concept d’ambiance et à sa relation avec les phénomènes psychopathologiques, en revisitant l’interprétation de l’œuvre d’Eugène Minkowski par Bruce Bégout. Il s’agit de démontrer comment les ambiances représentent un élément constitutif de la vie, indissociable de la structure vécue du trouble mental, ainsi que des relations et orientations qui constituent la recherche et l’intervention médicales contemporaines. Dans ce sens, nous explorerons l’espace « mersive » des ambiances et leur relation avec « l’espace de la nuit », en parcourant la dynamique des ambiances dans l’intégration de l’espace et du temps vécus, pour ensuite analyser la dépression comme une possible « perturbation de l’ambiance ». Notre objectif ultime sera d’établir la « dimension ambiencielle » comme prérequis à une science « ample » et « humaine ».