Coimbra (Sé Nova), Portugal
Adorno introduced the notion of “newness” into philosophy of music (§ 1), a notion he later intertwined with the notion of “truth content” (§ 2). To release the two notions from the critical theory, the paper links both notions to a philosophy of music, though radically conceived. A correct ontology of newness allows one to extend music’s truth content plus their material (§ 2.1.) and formal (§ 2.2.) axes to the negative time of the listener. Musical creation involves immanent listening to history and society, but at the same transcendent listening, a response “to the unconditionality of the eternal in the negative of the occasion” (§ 3). Webern’s musical language seeks to reach the utopian place of newness itself. The paper seeks to extend newness to the listener’s artistic creation, regardless of his or her place in what the paper dubs “music listening triangle.”
Adorno a mis la notion de «nouveauté» en musique (§ 1) sous la visée de la philosophie et il l’a aussitôt croisée avec celle de «contenu de vérité» (§ 2). Afin de surmonter la subordination des deux notions à la théorie critique, cette étude les relie à une philosophie de la musique, dûment conçue. Une ontologie correcte de la nouveauté permettra l’application du contenu de vérité de la musique et des axes matériel (§ 2.1.) et formel (§ 2.2.) au temps négatif de l’occasion de l’auditeur, appel à la création et vocation de tous les êtres humains. En musique, il s’agit d’une écoute immanente à l’histoire et à la société, mais transcendante en même temps en vertu d’une nouveauté qui «répond à l’inconditionnalité de l’éternel dans le négatif de l’occasion» (§ 3). C’est le cas du langage musical de Webern qui cherche à cerner le lieu utopique de la nouveauté elle ‑même. L’étude défend l’application de cette notion à la création artistique de l’auditeur, indépendamment du lieu occupé par celui ‑ci dans le cadre de ce que l’étude appelle le «triangle d’écoute musicale».
Adorno colocou sob a mira da filosofia a noção de “novidade” em música (§ 1), que posteriormente intersetou com a noção de “conteúdo de verdade” (§ 2). Visando ultrapassar a cativação das duas noções pela teoria crítica, este artigo vincula-as a uma filosofia da música radicalmente entendida. Uma correta ontologia da novidade permite estender o conteúdo de verdade da música e dos seus eixos material (§ 2.1.) e formal (§ 2.2.) ao tempo ocasional e negativo do ouvinte enquanto apelo à novidade ou criação, vocação de todos os seres humanos. Na música, esta passa pela escuta imanente à história e à sociedade, mas ao mesmo tempo transcendente a ambas, graças à novidade que “responde à incondicionalidade do eterno no negativo da ocasião” (§ 3). É o caso de Webern, cuja linguagem musical procura alcançar o lugar utópico da própria novidade. O artigo defende a extensão da novidade à criação artística do ouvinte, independentemente do seu lugar no quadro do que se denominará “triângulo da escuta musical”.