La percepción delirante es un fenómeno psicopatológico en el que un significado autorreferencial, vinculante y evidente se sobrepone al significado corriente del fenómeno (objeto o suceso) sin cancelarlo. Este ensayo propone estudiar las condiciones de posibilidad de coexistencia, en una sola experiencia, de dos fenómenos de mundo diferentes que comparten el mismo material hylético, concebida como la copresencia de dos significados que, en principio, deberían ser incompatibles. De entre todas las propiedades del fenómeno, se estudia sobre todo su temporalidad, apoyada en las obras de Husserl y Marc Richir, aunque se repasa brevemente una espacialidad posible de la coexistencia de ambos significados y se estudian los pródromos del fenómeno como vinculados a una crisis y cambio del hacerse del sentido.
A perceção delirante é um fenómeno psicopatológico no qual um significado autorreferencial, vinculativo e evidente sobrepõe-se ao significado corrente do fenómeno (objeto ou acontecimento) sem cancelá-lo. Este ensaio propõe estudar as condições de possibilidade de coexistência, numa única experiência, de dois fenómenos de mundo diferentes que partilham o mesmo material hylético, concebida como a copresença de dois significados que, em princípio, deveriam ser incompatíveis. Entre todas as propriedades do fenómeno, estuda-se sobretudo a sua temporalidade, apoiada nas obras de Husserl e Marc Richir, embora se repasse brevemente uma espacialidade possível da coexistência de ambos os significados e se estudem os pródromos do fenómeno como vinculados a uma crise e mudança do fazer-se do sentido.
Delusional perception is a psychopathological phenomenon in which a self-referential, compulsory, obvious meaning is superimposed on the common meaning of the object or event, which is nevertheless still valid. The essay aims to an analysis of the possibility conditions of the coexistence of two different world-phenomena which share the same hyletic material. Among the variegated features of delusional perception, the essay deals mainly with temporality, as studied by Husserl and Richir, although brief analysis of spatiality and the prodromic phase of delusional perception are also provided.