The aim of this contribution is to give an outline of Henri Lefebvre’s project to articulate thinking on space with critical sociopolitical theory, and more specifically with the critique of the neo-capitalist society. Foundational to this project is the idea of the production of (social) space, which involves Lefebvre’s opposition to an understanding of space as a “container”, in favour of its conception as a relational phenomenon, grounded on an ontological bond with the human body, as well as indissolubly linked to time. The analysis of this idea shows that space is not a mere stage for what takes place in the social realm, but is instead an important part of it, and thus possesses an inherent political dimension. This importance and dimension, though, has significantly increased within contemporary society and the space that it has produced, “abstract space”, because of the fact that space has been rendered an instrument of control at all levels: economic, political, ideological. However, this control of space and through it, though unprecedented in history, cannot be total, since “abstract space” itself creates new contradictions which escape the controlling forces.
L’objectif de cette contri-bution est de donner un aperçu du projet d’Henri Lefebvre, d’articuler la réflexion sur l’espace avec la théorie sociopolitique critique, et plus spécifiquement avec la critique de la société néo ‑capitaliste. L’idée de la production de l’espace (social) est à la base de ce projet, qui repose sur l’opposition de Lefebvre à une compréhension de l’espace comme « contenant », en faveur de sa conception comme phénomène relationnel, fondé sur un lien ontologique avec le corps humain, ainsi qu’indissolublement lié au temps. L’analyse de cette idée montre que l’espace n’est pas une simple scène pour ce qui se passe dans le domaine social, mais qu’il en constitue au contraire une partie importante et qu’il possède donc une dimension politique inhérente. Cette importance et cette dimension se sont toutefois considérablement accrues dans la société contemporaine et dans l’espace qu’elle a produit, « l’espace abstrait », parce que l’espace est devenu un instrument de contrôle à tous les niveaux : économique, politique, idéologique. Cependant, ce contrôle de l’espace et à travers lui, bien que sans précédent dans l’histoire, ne peut être total, car l’« espace abstrait » crée lui‑même de nouvelles contradictions qui échappent aux forces de contrôle.
Procuram apresentar-se, neste artigo, os contornos do projeto de Henri Lefebvre no ponto em que o autor articula o pensamento sobre o espaço com uma visão crítica da teoria sociopolítica, mais especificamente com a crítica da sociedade neo-capitalista. Afigura-se fundamental, neste projeto, a ideia de produção do espaço social, que, de acordo com Lefebvre, opõe à compreensão do espaço como um "recipiente" a conceção do espaço como fenómeno relacional, ancorado num laço ontológico estabelecido não só com o corpo humano, mas também indissoluvelmente ligado ao tempo. A nossa análise mostra que, para o autor, o espaço não é um mero palco do que ocorre no domínio social. Pelo contrário, ele desempenha um papel importante, que acarreta uma dimensão política, particularmente premente na sociedade contemporânea e no espaço que ela gera – um espaço abstracto –, uma vez que este se tornou, a todos os níveis, um instrumento de controlo económico, político e ideológico. Com efeito, tal controlo do (e através do) espaço não tem precedentes na história, porque o «espaço abstracto» se permeia de novas contradições que escapam às forças de controlo.