Coimbra (Sé Nova), Portugal
The study of emotions remains peripheral in penal and criminological theory, despite the fact that they are present throughout the legal arena, both in the legal framework and in the various stages of the deliberative process, influencing actors and legal institutions in various ways, some desirable and others undesirable. This understanding is particularly relevant in the case of homicides and femicides committed in a context of intimacy, in which the victim-offender relationship plays a significant role in establishing the motives for the crime, as opposed to murders committed by strangers. In this article and by way of a qualitative analysis, I contribute to a reflection on how emotions, particularly “romantic love”, are considered in the legal evaluation of these motives. I conclude that there is a genderized understanding of these emotions that interfere with the evaluation of their reasonableness, with consequences for the application of justice.
L’étude des émotions demeure périphérique dans la théorie pénale et criminologique, malgré leur présence dans l’ensemble de l’arène juridique, tant dans l’édifice normatif que dans les différentes étapes du processus délibératif, influençant les acteurs et les institutions juridiques de multiples manières, certaines souhaitables, d’autres moins. Cette perception est particulièrement pertinente dans les cas d’homicides et de féminicides commis dans un contexte d’intimité, où la relation victime-auteur joue un rôle significatif dans la détermination des motifs du crime, à la différence des homicides commis par des personnes inconnues. Dans cet article, à partir d’une analyse de nature qualitative, je cherche à contribuer à une réflexion sur la manière dont les émotions, et en particulier « l’amour romantique », sont prises en compte dans l’évaluation juridique de ces motifs. L’analyse conclut qu’il existe une compréhension genrée de ces émotions qui interfèrent dans l’appréciation de leur raisonnabilité, avec des conséquences sur l’application de la justice.
O estudo das emoções continua a ser periférico na teoria penal e criminológica, embora estejam presentes em toda a arena legal, tanto no edifício jurídico como nas várias fases do processo deliberativo, influenciando os atores e as instituições jurídicas de várias formas, umas desejáveis e outras indesejáveis. Esta perceção é particularmente relevante no caso dos homicídios e femicídios cometidos num contexto de intimidade nos quais a relação vítima-ofensor/a tem um papel significativo na determinação dos motivos para o crime, contrariamente aos homicídios cometidos por pessoas estranhas. Neste artigo, recorrendo a uma análise de natureza qualitativa, procuro contribuir para uma reflexão sobre o modo como as emoções, e em particular “o amor romântico”, são consideradas na avaliação legal desses motivos. Conclui-se que há um entendimento genderizado dessas emoções que interferem na avaliação da sua razoabilidade, com consequências na aplicação da justiça.