Martha Isabel Rosas Guevara
La cotidianidad de las mujeres indígenas del pueblo Awá, ha estado signada por múltiples obstáculos para el goce efectivo de sus derechos, debido a la imbricación de factores asociados al sexismo, racismo y el empobrecimiento, además de las enormes desigualdades estructurales y las secuelas de una conflagración bélica que se ha ensañado en su territorio durante décadas.Desde hace algunos lustros, las mujeres Awá, organizadas a través de la Consejería de Mujer y Familia, han desarrollado una serie de propuestas para tramitar las diversas situaciones de maltrato que experimentan. El presente artículo reflexiona en torno al impacto que las demandas políticas de las mujeres pretenden ejercer sobre la forma en la que se tramitan los conflictos asociados a la violencia de género, al interior de la justicia propia, lo que permite dar cuenta del carácter dual del derecho, que si bien ha contribuido a crear roles y categorías subalternizadas, también encarna una herramienta que permite la reacomodación de las relaciones en determinada comunidad, a partir de los reclamos y reivindicaciones de los actores sociales, en este caso, las mujeres indígenas.
The daily life of the indigenous women of the Awá people has been marked by multiple obstacles to the effective enjoyment of their rights, due to the overlapping of factors associated with sexism, racism and impoverishment, in addition to the enormous structural inequalities and the consequences of a war conflagration that has raged in its territory for decades.For some decades now, Awá women, organized through the Counseling of Women and Family, have developed a series of proposals to process the various situations of abuse they experience. This article reflects on the impact that the political demands of women intend to have on the way in which conflicts associated with gender violence are processed, which allows us to account for the dual nature of the right, which although it has contributed to create subalternized roles and categories, it also embodies a tool that allows the rearrangement of relationships in a certain community, based on the claims and demands of social actors, in this case, indigenous women.
A cotidianidade das mulheres indígenas do povo Awá tem sido marcada por múltiplos obstáculos para o gozo efetivo de seus direitos, devido à imbricação de fatores associados ao sexismo, racismo e empobrecimento, além das enormes desigualdades estruturais e das sequelas de uma conflagração bélica que tem se alastrado em seu território por décadas.Há algumas décadas, as mulheres Awá, organizadas através da Assessoria de Mulher e Família, têm desenvolvido uma série de propostas para lidar com as diversas situações de maus-tratos que experimentam. O presente artigo reflete sobre o impacto que as demandas políticas das mulheres pretendem exercer sobre a forma como são tramitados os conflitos associados à violência de gênero, no âmbito da justiça própria. Isso permite evidenciar o caráter dual do direito, que, embora tenha contribuído para criar papéis e categorias subalternizadas, também encarna uma ferramenta que permite a reacomodação das relações em determinada comunidade, a partir das reivindicações dos atores sociais, neste caso, as mulheres indígenas.