Fernanda Ribeiro Rocha Fagundes
Ao final do século XVIII e princípios do século XIX, funcionários reais do ultramar português contribuíram para a circulação de saberes de cura africanos. Uma análise possível por meio da corrente historiográfica História das ciências Global e Transcontinental, que entende a produção da ciência fora da Europa, em um lugar de encontro entre as culturas. Estudos nos permitem encontrar homens de ciências, que estavam a serviço do ultramar português, viajando para o globo para buscar mercês. Nesse contexto de ilustração, a partir da visão fisiocrática de geração de riqueza, identificou-se a presença desses súditos na África, Ásia e América. Com os seus serviços, José Pinto de Azeredo como físico-mor de Luanda e responsável pela Escola Médica de Angola de 1791, auxiliava na demanda do comércio da escravidão. Nesse ínterim, os escravos eram obtidos pela “guerra preta”, em Luanda e demais territórios. Tudo isso, gerou disputa entre diversos Estados Nacionais pela oferta de escravos. O que ocasionava mortes por conflitos armados. Luanda palco dessa disputa era marcada por insalubridade, levando a população a febres, bexigas e disenterias. Para isso, o Império português buscou cuidar de seus súditos do além-mar, erguendo a Escola Médica em Angola no ano de 1791. Essa última, gerou ciência na África, entre 1791 e 1797, através da reelaboração de conhecimentos de José Pinto de Azeredo, com o seu pensamento pragmático unido com saberes africanos locais. A ciência produzida por esse médico e outros naturalistas circulou através de documentos escritos e tradições orais nas rotas globais da escravidão.